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Goldman será vice na chapa de Serra

Folhapress
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São Paulo - O candidato do PSDB ao governo de São Paulo, José Serra, escolheu o deputado federal e amigo Alberto Goldman para vice de sua chapa. O convite foi formalizado na tarde ontem, quando os dois se encontraram. Antes de anunciar a decisão à Executiva do partido -convocada às pressas no início da noite de ontem-, Serra telefonou para o presidente do PSDB paulista, Sidney Beraldo, outro cogitado para a vaga. Segundo tucanos, Beraldo não manifestou nenhuma contrariedade e convocou a Executiva para uma reunião às 19h de ontem.

No domingo, Serra havia submetido os nomes em estudo ao candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin. Embora já tenha até se queixado de falta de participação no processo de escolha, Alckmin elogiou todos os indicados. A partir daí, Serra se sentiu liberado para a escolha do nome de sua preferência. Mas, para evitar uma disputa interna, Serra buscou até uma filiada ao partido sem mandato eleitoral: a ex-primeira-dama Ruth Cardoso. Como ela não aceitou, Serra optou por Goldman.

Fracasso com o PMDB

A montagem da chapa “puro-sangue” é o reconhecimento do fracasso das negociações com o PMDB, que, após lançar o ex-governador Orestes Quércia, articula com o PP uma aliança para o governo do Estado. Se depender do PMDB, o vice de Quércia será o ex-prefeito de Santos Beto Mansur. Mas o nome de Celso Russomanno também está em discussão. Apesar da declarada preferência por Goldman, Serra também avaliava a indicação de Beraldo.

Com a aparição do nome de Beraldo, cresceu um movimento no partido pela sua escolha, dos coordenadores regionais aos vereadores. Aliados de Alckmin reclamaram do fato de a Executiva ter autorizado, formalmente, a Serra o direito de escolha. A expectativa de tucanos era que Alckmin interviesse em favor de Beraldo. Mas Alckmin preferiu não se manifestar. Hoje, Serra estará no PFL para oficialização da candidatura de Guilherme Afif Domingos para a disputa pelo Senado.

No PSDB, Goldman é encarado como um empecilho aos planos do secretário municipal Aloysio Nunes Ferreira para a disputa ao governo do Estado em 2010. Caso eleito, Serra deverá se afastar do Palácio dos Bandeirantes para concorrer à Presidência da República. Ao assumir o cargo -a exemplo do que aconteceu com o próprio Alckmin - Goldman se transformaria em forte candidato à reeleição.

No partido, Goldman é encarado como um porta-voz de Serra, a ponto de o comando do PSDB ter atribuído ao ex-prefeito a paternidade de uma nota em que o deputado se queixou da viagem da cúpula tucana a Nova York. Num boletim destinado a militantes do partido, Goldman reclamou dos integrantes da cúpula do partido que se reuniram em Nova York para discutir a saúde da candidatura de Alckmin à Presidência.

Irritado, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, chegou a criticar Goldman publicamente. Numa reunião na casa do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e na presença de Serra, Aécio chamou Goldman de puxa-saco.

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Ex-comunista e quercista

São Paulo - O deputado federal Alberto Goldman trocou o PCB pelo PMDB quercista nos anos 80 e o quercismo pelo tucanato nos anos 90. Nascido em 1937, Goldman ingressou no então clandestino PCB. Em 1969 filiou-se ao MDB, partido que abrigava comunistas, elegendo-se deputado estadual em 1970. Reeleito em 1974, aproximou-se de Orestes Quércia. Foi eleito deputado federal em 1978, reelegendo-se em 1982.

Em 1985, oficializou sua filiação ao PCB, mas apoiou Orestes Quércia a governador em 1986, contrariando o partido. Tornou-se secretário de Quércia e voltou ao PMDB. Eleito deputado federal em 1990, foi ministro dos Transportes de Itamar Franco. Reeleito em 1994, passou a apoiar o governo FHC e aderiu ao PSDB.

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