Após um trabalho do Setor de Inteligência do Departamento de Polícia Judiciária Interior-4 (Deinter), a Polícia Civil estourou ontem uma central telefônica clandestina no Parque Santa Edwirges, em Bauru. Durante as investigações, ficou constatado que a central era utilizada para comunicação com presos recolhidos no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru e de outros presídios, conta o delegado Silberto Sevilha Martins, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG).
Com autorização judicial para fazer busca, ontem pela manhã uma equipe da DIG foi à residência indicada como local onde estava instalada a central telefônica, na quadra 2 da alameda Licurgo. Porém, os policiais acabaram entrando na casa ao lado porque o número estava incorreto, momento em que S.F.C., dona da casa onde a central telefônica estava instalada, fugiu.
A mulher, cujo nome não foi divulgado pela polícia, tem um filho que está preso no CDP. Antes de escapar, ela retirou o aparelho telefônico e cortou o fio. Porém, os policiais encontraram na casa uma agenda com anotações e vários nomes, que podem ser de pessoas que usavam a central telefônica.
A informação levantada pelo Deinter é que a mulher cobrava, de interessados em falar com presos, para usar seu telefone. Portanto, as anotações na agenda podem ser dos usuários da central telefônica. O advogado da moradora, no entanto, se comprometeu à apresentá-la à polícia na próxima semana.
Recentemente, a DIG estourou três centrais telefônicas. Os extratos com os valores das contas reforçam as investigações de que eram centrais usadas para comunicação entre presos e por muitas pessoas. “Uma das contas, de um mês, é de R$ 5 mil. A outra, de R$ 27 mil. E são contas que não foram pagas. Agora, vamos pedir a quebra do sigilo telefônico para saber para onde eram feitas as ligações”, conta Martins.