Frankfurt - Antes do jogo Espanha x França, pelas oitavas-de-final da Copa, o diário “Marca”, publicou uma capa em que dizia: “Vamos aposentar Zidane”. O francês já havia anunciado que pararia após a França encerrar sua participação no Mundial, e os espanhóis estavam certos de que seria naquela partida. Não foi.
Ao contrário, Zidane, 34 anos, jogou uma bola que não mostrara ainda nesta Copa e que, embora não se compare aos áureos tempos, foi o bastante para marcar um gol. O recado, para a Seleção, é: não se deve mexer com craques, muito menos com carrascos.
Fora as crianças, qualquer brasileiro se lembra o que ocorreu em 12 de julho de 1998, na final da Copa da França. Muito por causa do drama de Ronaldo, mas também pela glória de Zidane. O craque da elegância suprema liderou os “Bleus” (Azuis) e marcou dois gols nos 3 a 0 que deram ao time da casa seu primeiro título mundial.
Nunca um carrasco do Brasil em Copas deu à Seleção o gostinho de uma revanche na competição. Os uruguaios Gigghia e Obdulio Varela, de 1950, não deram, o italiano Paolo Rossi, de 1982, também não. O húngaro Puskas (1954) não deu, o argentino Maradona (1990) também não. O holandês Cruyff (1974) não deu, o português Eusébio (1966) também não. Zidane será o primeiro.
E está louco para prolongar a sede de vingança do Brasil. “Zidane espera que este jogo seja só uma etapa em direção ao 9 de julho (data da final) e que seja tão feliz quanto aquele 12 de julho que mudou sua vida”.
A frase está no site oficial do meia, sob o título “O nascimento de uma lenda”, um texto que mostra que Zidane veio ao mundo naquele dia no Stade de France. “Espero que o 9 de julho substitua o 12 de julho daqui para frente”, diz ele no site.
O astro discreto adotou o silêncio com a imprensa nos últimos dias. Foi poupado do treino de anteontem com dores musculares, mas ontem treinou e deve ser escalado hoje.
Após a final de 1998, o francês foi eleito pela Fifa o melhor jogador do mundo naquele ano. Repetiu a dose em 2000 e 2003. Um único outro jogador ostenta o tricampeonato, Ronaldo. Mas talvez os títulos que mais dimensionem Zizou sejam outros. Foi eleito pela rede britânica BBC como o maior jogador da história da Europa.
Os dois são os maiores astros desta Copa, mas o francês carrega ainda a expectativa pelo último jogo.