Nos primórdios do automóvel, a tração clássica sempre foi nas rodas traseiras, por um motivo simples: era mais fácil distribuir os conjuntos mecânicos no veículo. Grandes motores longitudinais dianteiros (instalados no sentido do comprimento do veículo), instalados em espaçosos capôs e ligados em linha à transmissão e desta, por meio de um eixo cardan, ao diferencial no eixo traseiro. Por muitos anos esta foi a configuração padrão para a maioria dos carros.
De uns 30 anos para cá, com a crise do petróleo obrigando as montadoras a desenvolverem carros e motores menores, mais eficientes e econômicos, seguiu-se para um outro caminho, o de instalar motores transversais (no sentido da largura do veículo) com transmissão também acoplada transversalmente e tração dianteira, junto com as rodas direcionais do veículo. Quais as vantagens desta nova configuração?
A primeira foi a economia de peso do conjunto motriz, por acomodar dentro de uma transmissão compacta os conjuntos de embreagem, câmbio e diferencial; a redução do espaço ocupado pelo conjunto foi grande, abrindo mais espaço para os passageiros ao mesmo tempo em que reduziu o tamanho e peso final do veículo. Com menos massa para carregar, pode-se usar motores menores e mais eficientes, obtendo-se bom desempenho com economia.
Mas tração dianteira não traz só vantagens. Com motores mais potentes, as rodas dianteiras motrizes tendem a patinar mais em arrancadas, pois nesta situação o peso do veículo em aceleração é deslocado à traseira, levantando a frente e diminuindo o atrito com os pneus. É aconselhada a tração traseira para veículos com motores grandes, e esta é uma tendência observada pelas fábricas com seus modelos mais potentes e esportivos, como Porsche, Ferrari, BMW, Mercedes, dentre outras.
A tração dianteira também traz maior estabilidade e controle direcional, tornando mais fáceis as correções de trajetória. Basta virar o volante para o sentido oposto ao da derrapagem para consertá-la, ao passo que derrapando com a traseira, precisa ter muito braço para corrigir a trajetória, pois o carro entra em pêndulo. Para uma pilotagem mais esportiva, prefere-se a tração traseira, pois permite derrapagens controladas, mas só para quem sabe fazê-las.
Caminhões e veículos de cargas usam tração traseira por outro motivo: como a carga é colocada na caçamba traseira, quanto mais peso em cima, mais tração na roda. Já as pequenas picapes derivadas de carros de passeio com tração dianteira, quando muito carregadas, tendem a patinar as rodas motrizes e, às vezes, nem conseguindo subir uma ladeira por falta de tração.
Com o uso de tração nas quatro rodas, temos a situação ideal de sempre ter um eixo tracionando em qualquer situação de piso. Por isso é a indicada para veículos que trafegam em pisos não-pavimentados ou fora-de-estrada. Mas tornam o carro mais pesado, mais caro, menos ágil e, portanto, menos econômico. Mas no mato é insubstituível.
Existem sistemas de tração total (nas quatro) próprios para o uso no asfalto. Carros de alta potência e esportividade o utilizam para melhorar a capacidade de transferir toda a potência do motor às rodas, como o Audi Quattro, Porsche Turbo, Lamborguini Murcielago, Subaru 4WD, Mitsubishi Lancer Evolution e muitos outros. Portanto, para cada aplicação e características de desempenho de um carro, existe um sistema de tração adequado. Pense nisso também, quando escolher seu carro!
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CORREIO TÉCNICO
Quando devo completar o nível da água do radiador? Coloco só água, só aditivo ou misturo os dois?
Ângelo Pereira, Bauru (SP)
O correto é sempre verificar o nível com o motor frio e antes de sair com o carro. Assim não se corre o risco de se queimar com o vapor quente da tampa do reservatório. Considerando-se que hoje todos os carros mais novos tem radiador selado, deve-se conferir no reservatório de expansão se o nível do líqüido está entre as marcas MAX e MÍN. Cada fabricante determina a proporção de aditivo necessário. Existem aditivos para radiadores que vem concentrados, precisando ser diluídos com água antes de completar o nível. Outros já vem diluídos, portanto basta adicionar seu conteúdo ao reservatório. A função do aditivo é elevar o ponto de ebulição da água em alguns graus, evitando que esta ferva e se evapore com mais freqüência, além de ter uma função lubrificante e anti-ferrugem do sistema. Deve-se trocar o fluido uma vez ao ano, para lavagem do sistema e troca do aditivo.
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Sugestões para a coluna e perguntas à seção Correio Técnico devem ser enviadas ao e-mail automerc@jcnet.com.br ou à redação do Jornal da Cidade, na rua Xingu, 4-44, Higienópolis. É obrigatório informar nome completo, RG, endereço e contato (telefone ou e-mail).
*Marcos Serra Negra Camerini é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, pós-graduado em administração industrial e marketing e engenharia aeronáutica, com passagens como executivo na General Motors (GM) e Opel. Também é consultor de empresas e assina uma coluna na revista Quatro Rodas Nitro. Seu site é www.marcoscamerini.com.br.