Nilson Ghirardello defende há anos o patrimônio histórico de Bauru. É professor de arquitetura da Universidade Estadual Paulista e membro do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Bauru (Condepac). Já foi presidente do órgão e luta de forma ferrenha pelos imóveis da cidade.
“Os edifícios preservados pelo Condepac são representantes de períodos significativos de nossa história. Os hotéis da região da estação Noroeste, por exemplo, contam a história da expansão da ferrovia em Bauru e na País”, explica.
De acordo com Ghirardello, um esforço do conselho tem sido o de preservar uma quantidade mínima de exemplares de uma determinada manifestação arquitetônica. “Também procuramos incluir diferentes representantes de imóveis de uma mesma espécie. Por exemplo, temos cinco igrejas, de diferentes religiões e estilos de construção. Dessa forma, a conservação torna-se mais rica”, acredita.
O professor reconhece as dificuldades no trabalho de preservação da memória arquitetônica da cidade. “O tombamento não implica num comprometimento do poder público em zelar pela preservação do imóvel. Mas isso é um erro, já que na maior parte dos casos os proprietários não têm dinheiro ou interesse em manter um edifício histórico”, alerta.
Às vezes a falta de cuidados com os bens tombados pode converter-se de risco em “tragédia”. Ghirardello lamenta o caso do destombamento das antigas Indústrias Matarazzo, demolidas em 1997. “Foram o último exemplar da chegada das indústrias à região. Além disso, eram representantes únicos em Bauru do modelo de arquitetura inglesa do início do século 20. A cidade perdeu uma parte importante de sua memória e ganhou mais um terreno baldio”, diz referindo-se ao fato de o local permanecer desocupado até hoje.