Geral

PS Central fica 12h sem ortopedista

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

Vários pacientes que chegaram, ontem, buscando atendimento de um ortopedista no Pronto-Socorro Central (PSC) tiveram seus casos atendidos parcialmente por clínicos. Um ortopedista passou a atender somente a partir das 19h de ontem, na mudança do plantão com escala de 12 horas. No plantão anterior, o JC constatou a falta de médico especialista na área de ortopedia.

Por conseqüência, o serviços gerais Márcio Divino dos Santos, 23 anos, como de costume nos finais de semana, jogava futebol ontem quando lesionou a região da clavícula no ombro direito em um tombo, em Piratininga. Segundo Santos, ele recorreu ao PSC de Bauru porque na Santa Casa de Piratininga não encontraria médico ortopedista. A contusão ocorreu por volta das 8h e ele chegou ao PSC por volta das 10h30.

Conforme Santos, o atendimento foi imediato. Seu ombro foi imobilizado e aplicada uma injeção para tirar a dor. Depois, o paciente foi orientado a comparecer somente hoje pela manhã para uma consulta, às 7h. Até 12h30 de ontem, Santos aguardava a chegada de uma ambulância que viria de Piratininga para levá-lo para casa.

“Equipe preparada”

O secretário municipal de Saúde de Bauru, Mário Ramos de Paula e Silva, comenta que nenhum paciente deixa o pronto-socorro sem ser atendido e que a equipe está preparada para dar o melhor atendimento a casos das especialidades médicas, como a ortopedia.

Porém, ele não soube precisar, ontem, se na escala médica havia ortopedista entre 7h e 19h. “Às vezes, até tinha ortopedista, mas por algum motivo ele não compareceu. Dependendo da situação, cabe até abrir processo administrativo (para apurar o caso)”, ressalta.

Segundo o secretário, 76% dos atendimentos feitos no PS poderiam ser resolvidos na rede básica de Saúde.

Ele admitiu que entre as deficiências no quadro de médicos da secretaria figura a ortopedia. Mas não exclusivamente. Faltam cirurgiões, ortopedistas, pediatras e clínicos. Foi aberto concurso público no primeiro semestre deste ano visando a contratação desses profissionais, mas sem sucesso. Silva acrescenta que há um déficit de 41 clínicos na rede básica de Saúde de Bauru. “Para ter mudanças na Saúde, vamos ter que investir em pessoal, informatização e infra-estrutura.”

O Diário Oficial do Município publicou no último sábado um projeto de lei, número 52, de 2006, que em linhas gerais concede adicional especial para a servidores da Saúde. Médicos, médicos integrados no Pronto-Atendimento e médicos veterinários terão um adicional de 80%. Demais cargos com nível universitário, 45%. Técnicos de enfermagem, auxiliar de enfermagem e auxiliar de gabinete dentário, 30%. A lei já foi aprovada pelo Legislativo e sancionada pelo prefeito Tuga Angerami (sem partido).

O vereador Primo Mangialardo (PV) ressaltou, ontem, que existem apenas dois ortopedistas para toda a rede. Ele integra as Comissões de Direitos Humanos e Saúde da Câmara Municipal de Bauru. Na última segunda-feira, Mangialardo, a vereadora Majô Jandreice (PC do B) e Benedito da Silva, o Benê (PSDB), fizeram uma visita surpresa ao PSC para ver as condições de funcionamento.

Amanhã, os membros das comissões se encontram com Silva e outros secretários para avaliar as mudanças na Saúde. A reunião está marcada para as 14h no Departamento de Saúde Coletiva, ao lado do Hospital de Base.

Comentários

Comentários