Cidade do México - O esquerdista Andrés Manuel Lopez Obrador, ex-prefeito da capital, é favorito, por pequena margem, a ser o novo presidente do México, segundo pesquisas vazadas por um instituto de pesquisa na tarde de ontem. Obrador tem 37,5% dos votos, segundo resultado extra-oficial de boca-de-urna, contra 36% do conservador Felipe Calderón, ex-Ministro da Energia, candidato do presidente Vicente Fox.
A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais para mais ou menos. Pela lei eleitoral, pesquisas de boca-de-urna oficiais só poderiam ser reveladas às 20h (22h em Brasília) para não influir o voto dos eleitores do oeste do país e na Califórnia, que tem outro fuso horário. Como não há segundo turno e o voto não é obrigatório, o vencedor não terá respaldo da maior parte dos mexicanos.
Acredita-se que os 500 deputados e os 128 senadores eleitos ontem serão divididos quase em partes iguais pelas três grandes forças políticas do país. A abstenção é estimada em 40% do eleitorado. Uma intensa negociação política será necessária para o próximo presidente conseguir governar, sem sofrer bloqueio incessante do Congresso - algo que afligiu os seis anos de mandato do governo de Fox. O novo presidente só toma posse em dezembro.
Está em jogo o destino do segundo maior país da América Latina, em economia (PIB de US$ 760 bilhões, quase igual ao do Brasil), tamanho (1.967.000 km2) e população (107 milhões de habitantes). O maior aliado dos Estados Unidos na região e seu terceiro maior parceiro comercial. Cerca de 25 milhões de mexicanos vivem nos EUA.
Com as discussões sobre o fracasso do neoliberalismo na América Latina e as opções entre esquerdas moderadas e esquerdas mais revolucionárias, o resultado mexicano certamente será instrumentalizado por neoliberais ou esquerdistas, dependendo do vencedor. Para elite, empresariado e classe média mexicanos, o país está em bom caminho.
O subcomandante Marcos, que ficou famoso por liderar um levante indígena em Chiapas, o Estado mais pobre do país, promoveu anteontem uma manifestação pela abstenção e atacou AMLO como “vendido para o sistema” e “aburguesado”. Mas, ao contrário de 1994, sua popularidade é mínima.