São Paulo - Após quatro agentes penitenciários serem assassinados em emboscadas na Capital nos últimos seis dias - outros dois escaparam dos ataques com vida -, um policial militar (PM) que atuava na repressão às rebeliões foi morto com dois tiros, no final da noite de anteontem, na Mooca (zona leste de São Paulo).
De folga, o soldado estava sem farda, mas com o cinto e as botas da corporação. José Eduardo de Freitas, 30 anos, lotado desde 1997 no setor de Controle de Distúrbios Sociais (CDC) do 3.º Batalhão de Choque da PM, voltava para casa, em São Bernardo (ABC), às 23h, quando teria sido abordado por dois homens em uma moto.
O policial levou dois tiros no rosto. Mesmo armado, não chegou a trocar tiros com os assassinos. A família acha que Freitas foi vítima da guerra entre policiais e o Primeiro Comando da Capital (PCC). Por morar em São Bernardo - onde a polícia matou na semana passada 13 homens que estariam planejando a morte de agentes de presídios- e ser conhecido como um policial que combate distúrbios em cadeias, parentes acreditam que ele tenha sido alvo de vingança de criminosos ligados à facção.
A Secretaria da Segurança Pública não descarta a possibilidade de ação coordenada da facção nos assassinatos dos agentes e do PM como revide às mortes dos suspeitos no ABC. Anteontem, três horas antes da morte do policial na zona leste, o agente penitenciário Otacílio do Couto, 40 anos, foi assassinado a tiros na região do Jaçanã (zona norte de São Paulo).
Antes, na semana passada, já ocorrera os assassinatos, em emboscadas, de agentes em Itapecerica da Serra (Grande São Paulo), Jardim Panamericano (zona norte) e Jardim João XXIII (zona oeste). Durante o final de semana, alguns dos 144 presídios do Estado tiveram as visitas e o banho de sol cancelados como protesto dos agentes pelos colegas mortos.
A situação permaneceu tensa nos presídios ontem. Nos Centros de Detenção Provisórios (CDPs) de Belém (zona leste) e Parelheiros (zona sul) até oficiais de Justiça e advogados tiveram a entrada barrada. “Aqui é só a alimentação fornecida pelo Estado que entra. Nenhum detento vai ter banho de sol tão cedo enquanto continuarem essas mortes”, afirmou um agente.
O Sindicato dos Agentes de Segurança Penitenciária do Estado de São Paulo (Sindasp) convocou ontem os 23 mil agentes do Estado a permanecerem em luto, impedindo visitas e banho de sol. A entidade acusa o governo do Estado de ter enviado mensagens aos diretores de presídios na terça-feira passada, um dia antes da morte do primeiro agente, na qual já era previsto uma “revanche” pelas mortes em São Bernardo.
A Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) não confirma o envio da mensagem. À tarde, a Tropa de Choque ocupou a favela do Jardim Colombo (zona sul), à procura de suspeitos.