Como moradora do núcleo Beija-Flor há 25 anos, participei do trabalho do padre Antonio Edson, que chegou aqui em nossa comunidade como seminarista diácono e depois padre. As missas eram celebradas numa casa com um coberto nos fundos, muito desconfortáveis. Na época chamava-a comunidade S. Roque. Mas ele trabalhou muito para construir um espaço melhor. E hoje temos a comunidade Nossa Senhora de Guadalupe graças ao padre Antonio Edson. Nós fazíamos mutirões aos domingos para construir o salão e ele trabalhava como se fosse um pedreiro carregando massa e tijolos com a gente, ele também ajudou a construir a comunidade de São Francisco no Chapadão.
Por isso o povo está indignado, esperando uma versão dos fatos o que aconteceu com uma pessoa tão trabalhadora. Não temos certeza, mas diz que foi por causa da construção de uma rampa para os deficientes físicos na Igreja S. Benedito, onde ele celebrava missas diariamente. Se esse foi o motivo da sua saída, acho que a Igreja Católica está com a memória curta, porque estamos no ano em que o tema da Campanha da Fraternidade é para o deficiente físico. Estamos num país em que fazer o bem ao próximo é crime. Padre Antonio Edson, quem o conhece sabe que ele é uma pessoa sem preconceito, sem orgulho e que gosta muito de ajudar as pessoas necessitadas, por isso eu não poderia deixar de expressar estas palavras.
Zenilde Ferreira de Almeida - RG 19.423.554