O presidente Lula, em seu discurso no último dia 28, foi categórico: “É mais fácil governar o pobre do que o rico. O pobre não tem dinheiro para sair, fazer passeata e protestar. Vai só para a igreja rezar e pedir a Deus”. Também afirmou que o pobre se satisfaz com o pão, o rico quer um bilhão. Taí uma grande verdade. Tanto é verdade que eu, particularmente, acho que deveríamos mudar o Hino Nacional: “Ouviram de Brasília às margens plácidas, de um povo pobre a oração suplicante...”. Que o (pobre) povo brasileiro reza, eu não tenho dúvida: reza para que o salário miserável dê para comprar arroz e feijão; reza para que o gás dê até o final do mês; reza para conseguir arrumar um “bico” e ganhar uns trocadinhos a mais. Reza tanto que pediu a Deus um governante decente. Resta saber se a oração não foi suficiente e o povo teve que se contentar com o que era possível no momento ou, se a fé é tanta que o povo crê num milagre: que o governo é assim mesmo, mas vai melhorar.
Realmente é mais fácil governar o pobre – literalmente. Ainda mais, se ele mora no Brasil e não tem acesso à Educação ou, se a recebendo na escola pública, nem sempre conta com a qualidade e seu conhecimento do mundo fica prejudicado. É mais fácil governar o pobre, sem dúvida. Mesmo por que, sem o dinheiro nem para o essencial, não há condições para comprar livros, revistas, jornais – artigos de luxo – e se manter informado. Dá até para colocar as “CPI’s” embaixo do tapete. É fácil governar o pobre. Tanto é fácil que é possível trocar um voto por uma porção de coisas que o pobre não tem: troca-se por um par de sapatos, por um kit escolar, por uma bolsa-família, bolsa-escola e são tantas as bolsas que já nem dá para nomear. O problema é que as “bolsas” ganham popularidade, mas o salário mínimo, ih... é tão pouco que nem dá para comprar uma bolsa, nem marmita decente para colocar nela. Contudo, isso tem explicação: com o auxílio das “bolsas” o (pobre) povo brasileiro fica sempre com a impressão que “o governo é tão bonzinho...”. Até garante reeleição! De fato, é mais fácil governar o pobre. E é verdade que o povo reza. Mas, além do pão, será que dava pra acrescentar um pouquinho de manteiga também?
Miriam de Fátima Pinto de Oliveira - professora