Tribuna do Leitor

Justiça social


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É impressionante como os nossos governantes são descarados ao brincar com o dinheiro público e ainda posar de paladinos da administração responsável. Estabelece-se o impasse de o presidente da República vetar o aumento de 16% no salário dos aposentados, pois isso levaria a uma despesa extra de R$ 8 bilhões. No mesmo noticiário fala-se na aprovação de plano de carreira para os funcionários da Câmara Federal, equiparando-os aos do Senado. Com isso, haverá uma aumento de despesa de R$ 500 milhões. Alega-se que essa última despesa está prevista no orçamento. Ou seja, gastar R$ 500 milhões a mais para aumentar em 15% os salários de alguns milhares de funcionários que já ganham muito acima da média salarial da iniciativa privada é viável, possível e legal. Agora, gastar R$ 8 milhões para melhorar o salário de fome dos aposentados, que são muitos milhões de pessoas, é impossível e “obrigará o presidente ao veto do projeto aprovado”, prejudicando-o eleitoralmente.

Não era esse o presidente que sempre defendeu dignidade e justiça social, que sempre criticou a precariedade do salário dos aposentados? Uma vez mais a incoerência transborda no descompasso do governo quanto aos discursos de oposição do passado e as atitudes concretas enquanto detentores do poder. Às vésperas do processo eleitoral, o governo mostra que realmente não está preparado para permanecer no cargo que ocupa e onde chegou, ludibriando aos desassistidos que esperavam muito mais efetividade do governo no combate às desigualdades. Será que continuarão sonhando ainda com “o espetáculo do crescimento” que não veio, dando lugar ao “espetáculo da mais deslavada corrupção” que esse País já assistiu? A copa, para nós já acabou. Que tal pensarmos mais seriamente nas eleições que se aproximam para não elegermos mais os mais de 1.500 políticos que estão respondendo a processos, pelos mais variados motivos. Não existem “anjinhos barrocos”, mas também não precisamos brincar de eleger os piores e apostarmos no “quanto pior, melhor”.

Só temos uma oportunidade a cada quatro anos para tentar mudar a história e fazer uma faxina no Congresso Nacional. Não percamos, uma vez mais, essa oportunidade.

Áureo Antonio Érnica - RG 5.364.772-5

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