A Polícia Militar (PM) afirma que foi recebida a tiros quando chegou à chácara do Vale do Igapó, onde estava o grupo suspeito, anteontem à noite, após receber denúncia de que no local ocorria tráfico. Os policiais revidaram, o que resultou em dois mortos - um rapaz de 22 anos e outro de 28 anos, cujos nomes não foram divulgados pela polícia. Ambos chegaram a ser socorridos, mas não resistiram aos ferimentos.
Porém, familiares dos presos negam a versão de que o grupo atirou nos policiais. O major Nelson Garcia diz que ainda é cedo para afirmar, mas ele acredita que os policiais não cometeram nenhum exagero. “Pelo que constatamos no local, a ação da polícia foi totalmente respaldada dentro do direito. As informações dão conta de que os policiais, assim que fez o cerco na chácara e deu voz de prisão, foram rechaçados à bala pelos ocupantes da casa”, comenta.
Para a titular da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise), Rejani Tiritan, os policiais apenas se defenderam. “Eles (os policiais) agiram em legítima defesa. Quando deram voz de prisão, foram recebidos com disparos de arma de fogo e, por isso, tiveram de revidar”, completa. Major Garcia adiantou que será instaurado inquérito policial militar para apurar a atitude dos policiais. Segundo contou, eles já foram ouvidos pelo setor de Justiça e Disciplina da PM, que vai apurar a responsabilidade dos envolvidos.
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Parentes contestam
Familiares do grupo de pessoas no Vale do Igapó que foram presas rebateram a versão da PM. Segundo eles, a polícia teria atirado primeiro. “Foram eles (os policiais) que chegaram atirando. Eu conversei com as meninas e elas me garantiram isso”, diz a mãe de uma das menores envolvidas.
Vanessa Barsotti, mulher de um dos rapazes que foram presos, também contesta. Baseada nos argumentos do marido, ela nega que os disparos tenham começado dos ocupantes da chácara. “Isso é mentira. Fiquei sabendo por ele (seu marido) que quem chegou atirando foi a polícia. Eles (os policiais) estão negando porque sabem que mataram inocentes. O certo era chegar e dar voz de prisão. Não precisava ter matado ninguém”, acrescenta.
Parentes de um dos rapazes mortos também foram procurados pelo JC, porém não quiseram se pronunciar sobre o assunto. Um dos advogados dos acusados, que estava ontem à tarde com familiares do grupo em frente à Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise), também preferiu não dar declarações.