Gaza - No dia mais violento desde o início da ofensiva de Israel em resposta ao seqüestro de um soldado e ao disparo de foguetes contra seu território, ao menos 21 palestinos - seis deles civis - e um militar israelense foram mortos em choques no norte da Faixa de Gaza. O conflito se intensificou depois que as forças israelenses voltaram a ocupar a área correspondente a três assentamentos abandonados na retirada empreendida no ano passado.
O objetivo da reocupação é criar uma zona-tampão para impedir o disparo de foguetes por militantes palestinos. Até o fechamento desta edição, não houve vítimas devido aos disparos, mas, nesta semana, um Qassam atingiu pela primeira vez uma cidade de porte significativo - Ashkelon, de 115 mil habitantes.
A partir das localidades reocupadas, o Exército de Israel deu início a ataques contra posições de militantes de facções distintas, como o braço armado do Hamas e o Jihad Islâmico. Na cidade palestina de Beit Lahiya, próxima dos antigos assentamentos, houve confronto direto entre as forças israelenses e milícias. Sete palestinos foram mortos. Em um ataque aéreo nas proximidades da mesma cidade, seis civis palestinos foram mortos, de acordo com testemunhas e médicos locais. O Exército israelense confirmou duas ofensivas na localidade, mas disse que não tinha conhecimento da morte de civis.
O número de palestinos mortos em um único dia foi o maior desde outubro de 2004, quando 16 pessoas morreram em uma incursão israelense no campo de refugiados de Khan Younis. O Ministério da Saúde da Autoridade Nacional Palestina (ANP) disse que, no total, há 55 feridos, incluindo 15 crianças.
As ruas de Beit Lahiya estavam praticamente desertas devido à escalada da violência, com os moradores buscando se esconder do fogo cruzado. O alfaiate Ali Ajrami contou que estava impedido de sair de casa, com um veículo militar israelense estacionado em seu jardim e soldados nos telhados de prédios vizinhos.
O brigadeiro-general israelense Ido Nehushtan declarou que “não há outra maneira de executar operações contra terroristas que se infiltram na população civil”.
O ministro palestino do Interior, Saeed Seyam, que pertence ao braço político do Hamas, fez um chamado às forças de segurança, dominadas pelo grupo rival Fatah, para confrontar o que classificou de “covarde agressão sionista”. O presidente da ANP, Mahmoud Abbas, e o primeiro-ministro palestino, Ismail Hanyieh, pediram à comunidade internacional que intervenha no conflito. Segundo o ministro da Infra-Estrutura de Israel, Benjamin Ben-Eliezer, não há intenção de voltar a controlar partes da Faixa de Gaza indefinidamente.
Por 18 anos, os israelenses mantiveram uma zona-tampão no sul do Líbano para evitar que militantes lançassem foguetes. Mas a ocupação não deteve os disparos e muitos morreram durante confrontos na região. Após pressão vinda de vários setores, inclusive da própria população israelense, o Exército se retirou do sul libanês em maio de 2000.