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Lula devolve apoio do PMDB nos Correios

Por Humberto Medina e Silvio Navarro | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - Em ano eleitoral, o governo deu ao PMDB o controle sobre a direção dos Correios. Ontem, o “Diário Oficial” da União publicou a indicação do novo presidente da empresa e de três diretores, todos ligados à bancada do partido no Senado. A nomeação de mais três diretores deve sair nos próximos dias.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o senador José Sarney (PMDB-AP) e o líder do governo na Casa, Romero Jucá (PMDB-RR), capitanearam as indicações. A ala governista do PMDB é cortejada por Lula, que busca o apoio do partido para fortalecer seu palanques regionais, além de prometer um governo de coalizão caso seja reeleito. A indicação também é classificada pela oposição como um pagamento pela operação dos governistas do PMDB que impediram o partido de lançar candidato próprio à Presidência. Com isso, aumentam as chances de Lula ganhar a disputa no primeiro turno.

A estatal, cujo comando caberá aos indicados do PMDB, é uma das maiores empresas do País, tem 110 mil empregados, comanda investimentos de aproximadamente R$ 500 milhões, tem verba publicitária de cerca de R$ 90 milhões e, ano passado, faturou R$ 8,6 bilhões, registrando lucro de R$ 393 milhões.

O salário de diretor é de aproximadamente R$ 18 mil mensais e o de presidente, de cerca de R$ 20 mil por mês. O novo presidente dos Correios, Carlos Henrique Almeida Custódio, é uma indicação do ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB-MG); Carlos Roberto Samartine Dias, novo diretor de Operações, foi sugerido pelo líder do PMDB no Senado, Ney Suassuna (PB); Manassés Leon Nahmias, novo diretor de Tecnologia, é indicado pelo senador Luiz Otávio (PMDB-PA).

O novo diretor Comercial, Samir de Castro Hatem, é indicação de Jucá. “O PMDB indicou pessoas técnicas e que têm experiência. Todos tem currículo exemplar. Essas nomeações referendam que o PMDB está colaborando com o governo”, afirmou Jucá.

O novo presidente dos Correios ocupava o cargo de diretor de Crédito da Caixa Econômica Federal. Hatem foi presidente do INSS quando Jucá foi ministro da Previdência. Os outros dois nomes já faziam parte dos quadros da empresa: Samartine Dias foi diretor-regional no Amazonas, Rondônia e Acre, e Nahmias foi diretor-regional no Pará.

Corrupção

Há um ano, a diretoria dos Correios pediu demissão coletiva em meio à crise que surgiu com a divulgação de fitas na quais um funcionário aparecia recebendo propina. A crise originou o escândalo do "mensalão". Quando a crise eclodiu, PMDB, PT e PTB dividiam as diretorias dos Correios. O PMDB tinha a presidência e três diretorias.

O PT tinha duas diretorias e o PTB, uma. Com a demissão coletiva, nomes técnicos da empresa, com vários anos de casa, assumiram temporariamente os cargos. Agora, com o esfriamento do “mensalão” e com a proximidade das eleições, o PMDB volta ao comando da empresa com a expectativa de que não haja divisão de poder.

O partido quer ainda as três diretorias que aguardam nomeação (Administração, Econômico-Financeira e Recursos Humanos). Acusações Os membros do partido que fizeram as indicações são acusados de irregularidades. Jucá foi investigado por supostas irregularidades no empréstimo concedido pelo Banco da Amazônia (Basa) à empresa Frangonorte, que pertenceu ao senador entre 1994 e 1997. Ele nega.

O senador Ney Suassuna teve dois assessores presos na operação “Sanguessuga”, da Polícia Federal, que desbaratou a máfia que vendia ambulâncias superfaturadas para prefeituras. Já o senador Luiz Otávio, que chegou a ser cogitado para assumir um cargo de ministro do Tribunal de Contas da União, acabou não assumindo a função porque era investigado pelo próprio tribunal por suposto desvio de verbas públicas.

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