Em semana violenta em Bauru, com assaltos a residências e a empresas, um vigia baleado e dois suspeitos de envolvimento com crimes mortos em confronto com a polícia, há um outro dado que chama a atenção: o número de presos. Até o final da tarde de ontem, 54 pessoas - a maioria acusada de ter participação nos crimes ocorridos recentemente em Bauru e região e suspeitas de terem ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) -haviam entrado na Cadeia de Avaí.
O delegado seccional José Doniseti Pinezi afirma que o número de prisões é recorde. “Não me lembro de uma semana com tantas prisões”, diz. A média, em Bauru, é de 20 pessoas presas por semana. “Só hoje (ontem) a DIG (Delegacia de Investigações Gerais) prendeu três acusados de roubos a residência. Em Agudos, foi presa uma outra pessoa em flagrante por roubo que poderia estar agindo lá e aqui em Bauru. Foi uma semana produtiva, de sucesso das polícias Civil, Militar e Federal”, comenta.
Entre os 54 presos estão os dez homens detidos pela Polícia Federal em Gália, em uma fazenda usada para refino de cocaína - havia 150 quilos de pasta base da droga. Também em um único local, no Vale do Igapó, a Polícia Militar prendeu oito homens, uma mulher e apreendeu quatro adolescentes na quarta-feira à noite numa chácara onde foram encontrados quase um quilo de crack e armas.
Preocupado com a superlotação, que poderia se agravar com novas prisões no final de semana, ontem o delegado seccional solicitou transferência de detentos da Cadeia de Avaí, que recebe presos de Bauru e região, para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru. Ainda pela manhã, 15 detentos foram transferidos para o CDP, o que reduziu a população da cadeia para 80. Mas no decorrer do dia entraram mais quatro.
A Cadeia de Avaí foi projetada para abrigar 48 presos, mas ontem pela manhã estava com mais de 90. Porém, após as transferências, Pinezi disse acreditar que o prédio tem condições de receber os detidos neste final de semana.
PCC
Apesar de ainda não ter comprovação, tanto a Polícia Civil quanto a Polícia Militar não descartam que os assaltos ocorridos em Bauru e região nos últimos dias tenham ligação com o PCC. Os crimes visariam fazer caixa para a facção criminosa, que cobra mensalidade de seis integrantes e estaria “apertando o cinto” porque estaria planejando novas ações.
Há detalhes em crimes e ataques ocorridos em Bauru e outras cidades que despertam a atenção para uma orientação maior, que poderia ser do PCC. Uma delas é que, no final de semana passado, dois moradores de Bauru foram presos em Panorama acusados de tentar matar um agente penitenciário de Presidente Venceslau.
Ontem, um morador de Bauru foi preso em flagrante por roubo em Agudos. E há suspeitas que assaltos ocorridos em Bauru teriam sido praticados por pessoas de outras cidades. Há informações de que o PCC estaria orientado seus membros a agir fora de suas cidades, para dificultar o trabalho de identificação por parte da polícia. Desta forma, um integrante do PCC de Bauru atuaria em outra localidade e um de outra cidade agiria em Bauru.
Há, ainda, outra curiosidade. O grupo preso no Vale do Igapó com crack e armas estava em uma chácara alugada no dia anterior para um churrasco. A tática, que visaria despistar a polícia, também seria orientada pelo PCC. Isso porque, em tese, é mais difícil identificar um grupo de criminosos em uma chácara de lazer porque toda movimentação de veículos e pessoas é atribuída à festa.