Stuttgart - A Alemanha venceu Portugal por 3 a 1, ontem, em Stuttgart, assegurou o terceiro lugar da Copa do Mundo e, com isso, terminou sua campanha em gramados locais com a sensação de que cumpriu o seu dever na competição.
Com uma equipe bastante modificada em relação às demais partidas, a Alemanha partiu ao ataque no início do jogo de ontem, dando a impressão de que o duelo repetiria disputas pelo terceiro lugar de outras Copas, recheadas de gols e emoções.
Porém, o primeiro tempo acabou não correspondendo às expectativas e terminou em branco. No segundo tempo sim vieram os gols. Em cinco minutos, a Alemanha fez dois e praticamente decidiu a sorte do confronto. Aos 11 minutos, Schweinsteiger chutou de fora e o goleiro Ricardo aceitou. Aos 16, o mesmo Schweinsteiger bateu falta da esquerda e a bola foi desviada pelo português Petit antes de entrar.
Ainda houve tempo para Schweinsteiger fazer o terceiro dos alemães, aos 33. E para Portugal descontar, aos 43.
Desacreditada no início, a Alemanha conquistou a torcida com o esforço e a dedicação demonstrados em campo, revertendo situações difíceis como contra a Argentina, nas quartas-de-final, quando, com um time inferior tecnicamente, buscou o empate e se classificou nos pênaltis.
O maior exemplo dessa guinada alemã foi o técnico Jürgen Klinsmann, que teve seu cargo ameaçado pouco antes do início da Copa, depois de sofrer uma goleada de 4 a 1 para a Itália, e agora é alvo de uma campanha nacional por sua permanência à frente da seleção.
Com os gols anotados ontem, a Alemanha atingiu a marca de 14 tentos, melhor ataque da Copa pelo menos até a final de hoje, em que a Itália precisará balançar as redes três vezes para igualar os alemães. Além disso, Miroslav Klose tem tudo para concluir o torneio como principal artilheiro, com cinco gols, marca mais modesta desde 1962.
Para Portugal, ficou o gosto amargo de, depois de ter nutrido esperanças de disputar a primeira final de sua história num Mundial, não ter conseguido sequer repetir a campanha de 1966, quando terminou em terceiro lugar da Copa da Inglaterra. Como se não bastasse, os portugueses igualaram a pior derrota em sua história nos Mundiais.
O jogo selou, por fim, a despedida de dois atletas marcantes para suas seleções. Oliver Kahn, de 37 anos, fechou como capitão sua trajetória de 86 jogos na Alemanha. Já Luis Figo, aos 33 anos, aposentou-se da camisa portuguesa com uma derrota em sua 127ª partida e sem o almejado terceiro posto do Mundial.
O jogo
O jogo começou aberto, como costuma acontecer com as disputas de terceiro lugar em Copas, e a Alemanha foi ao ataque. Aos cinco minutos, após uma cobrança de falta da direita, Metzelder cabeceou para trás e Kehl completou para o gol. A bola desviou na mão de Nuno Valente e os alemães reclamaram pênalti, não anotado pelo japonês Toru Kamikawa.
Aos 31 minutos, Deco recebeu de Simão e, já dentro da área, colocou um pouco acima do gol. A Alemanha, contudo, era mais insinuante e via seus ataques repetidamente interrompidos por faltas portuguesas, embora num escanteio, aos 36, os lusitanos tenham perdido boa chance de abrir o placar, com a bola passando por toda a área alemã.
No segundo tempo, Portugal teve a primeira chance aos seis minutos, quando, da entrada da área, Simão bateu falta por sobre o gol de Kahn. Logo depois, Pauleta recebeu na área, mas, assim como na etapa inicial, não soube concluir a jogada.
Aos 11 minutos, em seu primeiro chute no período final, a Alemanha conseguiu abrir o placar. Schweinsteiger partiu pela esquerda, cortou para o meio e, de longe, bateu. O tiro, apesar de forte, foi no meio do gol, mas o goleiro Ricardo falhou e a bola entrou.
Em seguida, aos 16, veio o segundo tento dos anfitriões. O mesmo Schweinsteiger que marcara o primeiro, cobrou com violência uma falta pela esquerda. A bola passaria à esquerda do gol português, mas Petit desviou e o lance terminou no fundo das redes de Ricardo.
Aos 33 minutos, Schweinsteiger, de longe o nome do confronto, sacramentou a vitória da Alemanha. Numa jogada muito parecida à do primeiro gol, o meia do Bayern de Munique bateu outra vez de fora, mas dessa vez o chute não deu a Ricardo qualquer chance de defesa: 3 a 0.
O time de Scolari ainda criou algumas boas chances e acabou premiado aos 43, quando Figo recebeu pela direita e cruzou para a área. Nuno Gomes aproveitou bem a jogada e completou, fazendo o gol de honra de Portugal.