Geral

‘Italianos’ de Bauru vibram com tetra

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

Domingo, final de Copa do Mundo. Mesmo com o Brasil fora da disputa, muitos bauruenses tiveram motivos para comemorar após término da partida. Além de torcedores magoados com a eliminação da Seleção Brasileira pelo time de Zidane e companhia, alguns tinham um motivo especial para vibrarem com o tetracampeonato da “Esquadra Azurra”: são os descendentes de italianos como Martino Malandrini, dono de uma cantina na região da avenida Getúlio Vargas.

Antes do jogo, ele estava confiante na vitória sobre a França. “Eles têm Zidane, mas nosso time tem garra e união”, disse.

Outra que acreditava na raça dos italianos como forma de superar o talento do “camisa 10” francês era Ilda Rugai Delicato, presidente da Sociedade Italiana “Dante Alighieri”. “Mesmo sem grandes talentos individuais, o time joga um futebol coeso, e isso é decisivo para atingir a vitória”, acreditava ela, fã do meia Del Piero e do zagueiro Cannavaro.

Nem mesmo o gol de meia francês, que abriu o marcador no primeiro tempo, foi capaz de desanimar os italianos de Bauru. “Vamos virar este placar, nosso time tem raça”, acreditava Malandrini, admirador do futebol do lateral-esquerdo Cannavaro.

Otimismo que era compartilhado pelo amigo Ulisses Venicius Christianini, que acompanhava o jogo na cantina, ao lado da mulher e do filho. Apesar dele ser neto de italianos, a “Azurra” demorou para ganhar exclusividade em seu coração. “Quando o Brasil foi eliminado, passei a torcer pelo do Felipão (Luiz Felipe Scolari, técnico da seleção portuguesa). Espero que agora a Itália seja campeã”, afirmou antes do fim do jogo.

A hipótese de uma derrota para os franceses não preocupava muito a torcida. Para Delicato “não há desonra alguma em perder para um time que possui um jogador excepcional feito Zidane”.

Sentimento parecido podia ser observado do lado “derrotado”. Eric Schimitt, um dos poucos franceses residentes em Bauru, não preocupava-se com o resultado do jogo.

“Na verdade, eu preferiria que o Brasil estivesse disputando esta final, mas como perdeu, ficarei feliz caso a França vença”, explicou, antes do término da partida, que foi decidida nos pênaltis, depois de empate, por 1 a 1 no tempo normal e na prorrogação.

Nascido na Alemanha, Schimitt, que trabalha como técnico em meteorologia, viveu na França dos 9 aos 49 anos. Morando atualmente em Bauru, ao lado da esposa Valéria de Carvalho Costa, ele define-se como um “cidadão do mundo”.

“Meu trabalho fez com que eu ficasse muito tempo viajando por diferentes lugares e quase não parava na França. Por isso minha ligação com o país não é tão grande”, garante ele, que assistiu ao jogo num apartamento de amigos.

Comentários

Comentários