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Revoltado, paciente apedreja o PAI

Da Redação
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Os seguidos problemas no atendimento aos usuários da rede pública de saúde, em Bauru, culminaram em ato de vandalismo, ontem. Por volta das 14h30, um paciente revoltado com a demora do atendimento no Pronto Atendimento Infantil (PAI) lançou uma pedra na porta de entrada da emergência. O objeto quebrou a vidraça, provocou pânico entre os funcionários e pacientes e prejudicou ainda mais o atendimento. Boletim de ocorrência foi registrado no 3º Distrito Policial, mas o autor não foi identificado.

A usuária do PAI Daniela de Oliveira, moradora da Vila Popular Ipiranga, chegou à unidade de saúde pouco depois do incidente para tratar sua filha. Segundo ela, tanto funcionários quanto pacientes entraram em pânico no momento do ataque. “Os médicos se esconderam nos fundos e os pacientes todos saíram da sala de espera com medo”, afirma.

Daniela conta ainda que, durante a correria, as fichas dos pacientes saíram da ordem, o que prejudicou ainda mais os usuários. “Até o pessoal (enfermeiras e médicos) arrumar tudo, dar depoimento para a polícia, colocar as fichas em ordem de chegada, demorou bastante”, explica. Ela conta, ainda, que aguardou cerca de três horas e meia para ser atendida. “Só na sala de espera de dentro, eu fiquei duas horas. Depois teve a troca de turno e aumentou ainda mais a demora”, revela a usuária.

Mais usuários reclamaram do tempo de espera para serem atendidos. O desempregado Jesus Humberto chegou ao PAI às 16h15 e, até as 19h30, a filha Aline ainda não havia sido atendida. Ele revela que, ao chegar no pronto-socorro, conversou com uma senhora que esperava pelo atendimento desde as 9h. “Quando eu cheguei, tinha três pessoas que estavam aqui desde as 9h da manhã esperando para passar pelo médico. Alguma providência tem que ser tomada”, desabafa.

O vendedor Josemiro Delgado, morador do Jardim Ouro Verde, procurava atendimento para os três filhos: Rafaela, Welliton e Stéfani. Às 19h30, já esperava há duas. Para o usuário, é difícil ter que se deslocar do bairro onde mora até o PAI e esperar por horas. “A gente já mora longe, depende de ônibus que demora cerca de 40 minutos para chegar até aqui, e ainda enfrenta todo esse tempo de espera. É complicado”, desabafa. Josemiro aponta sugestão para o problema. “Tem que contratar mais médicos e fazer o que era feito antigamente, que a gente tinha posto de saúde que atendia como pronto-socorro nos bairros”, afirma.

Priscila Ferreira de Souza, 18 anos, também estava à espera de atendimento para sua filha. Moradora do Jardim Tangarás, ela é estudante de enfermagem, mas não pretende trabalhar na rede pública. “Deus me livre, trabalhar aqui no PAI”, afirma. Ela também esperava por atendimento há cerca de duas horas. “Esse atendimento está horrível, não sei porque tirararam os outros prontos-socorros (dos bairros)”, desabafa, referindo-se aos prontos-socorros Mary Dota e Ipiranga, que foram fechados no ano passado.

Demora

Segundo funcionários do PAI, o incidente do início da tarde prejudicou mesmo o atendimento aos pacientes. Eles confirmaram a denúncia feita pelos usuários, de que apenas um médico estaria fazendo as consultas. No entanto afirmaram que o quadro, que normalmente é de quatro profissionais, estava completo no momento, mas três deles estavam fazendo atendimentos de urgência.

A reportagem do JC tentou entrar em contato com o diretor do Departamento de Urgência e Emergência, José Roberto Berber, mas não conseguiu localizá-lo até o fechamento desta edição.

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Histórico

A crise na saúde pública de Bauru se arrasta desde o início do mês junho. O déficit no quadro de funcionários é de 41 clínicos e 15 pediatras. Contratações de emergência estão sendo tentadas pela Secretaria de Saúde. No entanto, o baixo salário não atrai os profissionais. Um adicional de 80% no salário dos médicos está em trâmite e pode ser aprovado nas próximas semanas.

Apesar de ter sido tranqüilo, o plantão do último final de semana no Pronto-Atendimento Infantil não contou com o número total de pediatras. Um torno contou com três médicos, um a menos do que o ideal. A situação só não ficou crítica, conta um dos especialistas, porque o fluxo de pacientes foi menor nesse dia.

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