Beirute - Dezenas de países ampliaram ontem as operações de resgate dos seus cidadãos no Líbano. Dezenas de milhares de estrangeiros conseguiram deixar o país. A chegada de embarcações de várias nações a Beirute forçou-as a aguardar em fila para aportar - a mesma cena ocorreu em Larnaca, em Chipre, para onde têm ido quase todos os navios.
Um grupo de 40 marines americanos aportou na Capital libanesa, para acelerar a retirada dos cerca de 7 mil americanos que pediram ajuda - há 25 mil no país. A última incursão de militares dos EUA no Líbano havia ocorrido em 1983, após um atentado, atribuído ao Hizbollah, matar 241 marines. Um navio de luxo chegou a Chipre com 1.000 americanos - 150 já voaram para Washington.
Com pelo menos 12 mil estrangeiros refugiados no país - e a previsão de o número chegar a 70 mil -, a pequena ilha de Chipre pediu ajuda à União Européia para que eles sejam repatriados o mais rápido possível, além de auxílio para enfrentar o “enorme problema humanitário”, que está gerando um “alto custo”. Por sua posição no Mediterrâneo, a ilha é praticamente a única rota de fuga possível pelo mar.
Para retirar seus cidadãos da região, os países têm utilizado navios de guerra, aviões militares e até balsas alugadas. As Nações Unidas alugaram uma balsa cipriota, com capacidade para 600 pessoas, para buscar todos os funcionários “não essenciais” e seus familiares.
Em meio à polêmica em torno da posição do primeiro-ministro Stephen Harper, que apoiou Israel, os primeiros canadenses, 261, chegaram a Chipre ontem, também de balsa, e 700 foram para a Turquia. Cerca de 30 mil dos cerca de 50 mil canadenses no país contataram a embaixada para deixar o Líbano.
A Alemanha retirou cerca de 3 mil pessoas, em aviões militares. Um navio de guerra britânico levou centenas de pessoas ontem para Chipre. Mais de 1.000 moradores do Reino Unido já foram para a ilha - 80 chegaram a Londres. A Dinamarca retirou 5 mil pessoas, na maior ação desse tipo desde a Segunda Guerra Mundial. Mais de 1.300 russos deixaram a Síria, em cinco aviões. A Itália retirou, com um navio de guerra, 767 pessoas.
A Austrália enviou navios para a saída de 7.500. As Filipinas, com cerca de 34 mil cidadãos trabalhando no Líbano, pediu ajuda aos demais países para retirá-los. A lista dos que organizam resgates inclui praticamente todas as nações da Europa, além de países como China, Índia, Austrália, Egito e México.
O Hizbollah, cuja ligação com o Irã e a Síria fez crescer os temores de que o conflito pudesse se espalhar pela região, não impediu a saída de milhares de estrangeiros detidos no Líbano após o bombardeio de aeroportos, portos e estradas em ataques de Israel. O governo israelense foi pressionado a suspender os ataques nas rotas de fuga organizadas por Embaixadas estrangeiras, garantindo a segurança dos comboios de ônibus que seguem até a Síria e das embarcações que partem para o Chipre, a Grécia e a Turquia.
No nono dia de confronto, Israel continuou bombardeando alvos do Hizbollah no sul e em Beirute, e deu indicações de que poderá avançar mais no território libanês, onde já tem cerca de 2 mil soldados. O número oficial de mortos passa de 360, sendo 330 do lado libanês.