São Paulo - Apesar de afastados há quatro meses de seus antigos cargos, os candidatos do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, e ao Palácio dos Bandeirantes, José Serra, usaram ontem a primeira pessoa do plural para se referir a ações hoje executadas por seus sucessores no Governo do Estado e na Prefeitura de São Paulo.
O tempo escolhido foi o presente. Em ato falho, Alckmin e Serra deixaram passar a idéia de que estão à frente de suas antigas funções, durante discurso improvisado no Itaim Paulista (zona leste). “Com uma equipe boa na subprefeitura, com muita ação, estamos recapeando. São 45 ruas prontas, mais 35 que estão a caminho (...). E a Nordestina, que também vamos fazer recapeamento”, discursou Serra.
Depois, ao prometer investimentos em transportes de alta capacidade, Alckmin afirmou: “Estamos trabalhando na linha F. Ela já está em obra. São R$ 280 milhões investidos”, disse Alckmin. Após o discurso, a vendedora Maria Aparecida de Melo, 43 anos, se queixou a Alckmin das filas no hospital Tide Setúbal. “É municipal. Vou falar com o Serra”, disse.
Minutos antes, Serra pediu que assessoria anotasse as queixas de Gislaine Rosa, inclusive seu telefone, para remeter à Secretaria de Saúde. Apesar da boa acolhida, a dupla não escapou de protestos na breve caminhada pelo Itaim Paulista. Enquanto Alckmin discursava, um rapaz gritou: “É mentira dele. É nós que paga. É nós que paga (sic)”.
No discurso, Alckmin explorou a crise no governo federal ao prometer “fazer melhor”. “(Vamos) substituir o mensalão pelo emprego. Acabar com essa história de dinheiro na cueca, de roubalheira”. Em resposta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva - que propusera a reforma política contra corrupção - Alckmin e Serra afirmaram que esse não é o único instrumento de moralização.
Os dois lembraram que Lula está no fim do mandato, sem ter apresentado sua proposta de reforma. Para Alckmin, acreditar que o problema está na reforma política “é tapar o sol com a peneira”. “Corrupção tem pela tolerância, pelas más amizades, pela falta de controle e pelo governo ineficiente”, disse. Segundo Serra, a reforma é importante “mas também tem um problema de comportamento”.