Nacional

Avião com brasileiros chega do Líbano

Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

São Paulo - A segunda leva de brasileiros que fugiram do Líbano chegou ontem ao País, em vôo da Força Aérea Brasileira (FAB), com 148 pessoas - sendo oito libaneses e uma paraguaia. O vôo, de 14 horas, partiu de Adana (Turquia), após 24 horas desde a saída do comboio de ônibus da capital libanesa, Beirute.

Mais de uma hora antes da chegada, a família de Sicna Abdallah, 27 anos, já a esperava com cartazes diante da área de desembarque internacional do aeroporto de Guarulhos, a terceira parada do vôo, após Argel (Argélia), onde desembarcaram três pessoas, e Recife (PE). A aeronave ainda seguiu para o Rio, onde passaria por revisão e embarcaria de volta à Turquia.

"Graças a Allah, vocês chegaram", dizia uma placa vermelha feita pela prima de Sicna, Renata Nached Serhal, 25 anos. "Ela teve que se esconder dentro de um porão por cinco dias", contou Renata, antes da chegada da prima. "A gente mandou mais de 20 e-mails para o consulado em Beirute e para a embaixada brasileira falando que ela tinha um bebê de dois meses.”

Sicna foi recebida com gritos e choro. Ela, que se casou e mora há seis anos no Líbano, chegou com o bebê, com um filho de 2 anos e outro de 6 anos - o marido ficou no Líbano. O mesmo ocorreu ao marido de Antônia Merhi. Ela chegou a São Paulo com três filhos.

"Perguntei se meu marido poderia ir, eles disseram que ele não tinha visto para a Turquia. Cancelei a minha viagem, depois pensei direitinho, voltei a ligar, aceitei vir, mas vou trabalhar aqui por ele e por todos os libaneses casados com brasileiras”, diz Antônia, que morava em Antilyas e foi recebida pelo irmão, Antônio Youssef, e pelo pai, Rachid, com camisetas estampadas com a bandeira libanesa e a palavra "Paz”.

Também Carla Mussallam al Masri e Leila Ajouri, ambas casadas com libaneses, vieram com os filhos e sem os maridos. O de Leila também por problemas com visto. O de Carla ficou para "aguardar o que vai acontecer". "Eu quase me arrependo. Na fronteira da Síria, quase desci do ônibus para voltar. Meu marido chorando, e a gente indo embora", conta Carla, que veio com as duas filhas, de 4 anos e 8 anos.

Amorim

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, chega amanhã a Adana, na Turquia, para acompanhar a retirada de brasileiros da região. Amorim viaja a mando do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O chanceler conversou com a secretária norte-americana de Estado, Condoleezza Rice, e com várias autoridades israelenses, para convencê-los a não mudar o trajeto de um outro grupo de brasileiros, que saiu do vale do Bekaa e voltará ao Brasil a partir de Damasco, em um vôo da TAM.

Em vez de percorrer menos de 10 quilômetros até a fronteira síria, Israel queria que os ônibus fossem até Beirute, seguissem pela costa e atravessassem a fronteira síria pelo norte libanês. Uma viagem de dez minutos duraria 14 horas.

Até ontem 854 brasileiros já tinham sido retirados de zonas de conflito pelos comboios, e a Força Aérea Brasileira já havia trazido ao Brasil 318 pessoas. No total, foram levados cerca de 309 brasileiros de Khiara, o ponto de encontro, até a capital síria, Damasco. Na quarta eles embarcarão de volta em um avião da TAM, quando também sai da Turquia o vôo da FAB com 150 pessoas.

Só metade dos 20 ônibus planejados para deixar ontem o Líbano com brasileiros do vale do Bekaa deixou o país em direção à Síria. O número de passageiros menor que o esperado surpreendeu os organizadores, depois dos pedidos dramáticos feitos na última semana por brasileiros que buscavam ajuda para deixar a área de conflito.

Para os organizadores, três fatores podem estar por trás do baixo número: a possibilidade de um novo cancelamento da viagem, como na última sexta-feira, a saída do país por conta própria de muitos brasileiros e a redução dos ataques. "Muitos brasileiros resolveram esperar um pouco mais, na esperança de que a ofensiva israelense termine em breve", disse Mohamad Abduni, um dos organizadores do comboio. Os aviões da FAB continuarão fazendo a rota Adana-Recife-São Paulo nos próximos dias, até que todos os brasileiros que queiram deixar a região consigam sair.

Amanhã sai de Adana um 707 da FAB com 150 passageiros, e, na quinta-feira, outro com 70. A TAM fará mais um vôo no sábado e planeja enviar um terceiro, mas como vai precisar do Airbus para outros vôos, busca uma alternativa.

Comentários

Comentários