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Filho recorre ao MP para internar mãe

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Com a mãe em crise de insuficiência respiratória no Pronto-Socorro Central à espera de vaga para internação, anteontem, o marqueteiro Augustus César Villamarin não teve dúvidas recorreu ao Ministério Público (MP) para agilizar o processo. Em cerca de cinco minutos sua mãe, Suely Villamarin, 59 anos, foi atendida e internada na Unidade de Terapia Intensiva-UTI.

Suely já teve quatro derrames e estava com insuficiência respiratória quando foi levada para o atendimento médico. “Ela ficou em uma maca à espera de um exame de sangue que, segundo um funcionário do PS, demoraria cinco horas para ficar pronto”, conta. Preocupado com a mãe, ele telefonou para o Hospital de Base para tentar agilizar o resultado.

“O laboratório informou que estava pronto, precisava apenas que o funcionário municipal encaminhasse a requisição, o que foi feito depois que eu agilizei”, disse.

Ele conta que procurou a assistente social para pegar um prontuário e, quando retornou, observou que a mãe havia vomitado. Irritado com a situação e temendo pela vida da mãe, Villamarin telefonou para o MP e pediu providência.

Minutos depois, apareceu uma equipe de saúde que internou Suely. Após a internação, segundo o filho, ele fez outro telefonema ao MP. “Liguei para agradecer e soube que eles ligaram para o secretário da Saúde (Mário Ramos). Eu acho que esse tratamento deveria ser dispensado para todo mundo”, comentou.

Na opinião de Villamarin, não é só a falta de médicos que emperra o atendimento no PS Central, mas os funcionários que, na avaliação dele, nem sempre demonstram boa vontade de trabalhar. “Os funcionários dizem que não estão satisfeitos com salários, mas não pedem demissão”, critica.

Ontem, Suely foi transferida para o Hospital Estadual. “A médica me disse que ela está com uma infecção e teve uma insuficiência respiratória. Acredito que, em casos como este, a agilidade pode preservar uma vida”, completa.

Pactuação

O secretário municipal de Saúde, Mário Ramos, confirmou ter recebido um telefonema do MP sobre o atendimento de Suely. “Eles me ligaram apenas para saber o que estava acontecendo, não para forçar nada”, argumentou o secretário.

De acordo com ele, quando o contato foi feito, a paciente já estava na sala de urgência e aguardava o resultado de um raio X e do exame de sangue. “O pessoal da urgência estava esperando fechar o diagnóstico para solicitar ou não a internação da paciente”, explicou Ramos.

Ele frisou que a Secretaria Municipal de Saúde e o Ministério Público mantêm contatos desde o ano passado. “Temos um termo de pactuação de internações com todos os hospitais e a DIR-10 (Direção Regional de Saúde) para que as internações ocorram em um prazo máximo de 48 horas”, comenta.

Pelo acordo, os pacientes podem ficar, no máximo, 48 horas internados no pronto-socorro enquanto aguardam vaga em leito hospitalar. A paciente, segundo Ramos, apresentou quadro de insuficiência cardíaca congestiva aguda com dificuldade respiratória.

Ontem à tarde uma nova demonstração de revolta com a demora de atendimento no PS Central. Um usuário, que reclamava de demora no atendimento, danificou o portão da entrada da unidade de saúde. Nos últimos meses, em pelo menos duas ocasiões pacientes quebraram vidro da porta do Pronto-Socorro por causa da longa espera de atendimento.

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