Polícia

Com rotina alterada e clima tenso, policiais e agentes esperam agosto

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Milhares de detentos em todo o Estado vão passar o Dia dos Pais, celebrado no próximo dia 13, com suas famílias. A saída dos presos está levantando uma série de boatos e agravando a tensão em Bauru, principalmente entre policiais e agentes penitenciários. Já apelidado de “agosto sangrento”, o próximo mês concentraria ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC), que seriam ainda mais violentos so que os que já ocorreram. Entre os boatos, estão o assassinato de policiais, agentes penitenciários e ataque a civis. A primeira onda de ataques da facção aconteceu justamente no período de saída dos presos para o Dia Das Mães, que foi comemorado em 14 de maio.

Em Bauru, normalmente, mais de mil detentos conquistam o benefício de passar feriados com a família. Na saída do Dia das Mães, foram 974 do Instituto Penal Agrícola (IPA); 114 da ala de progressão da Penitenciária 1 e 158 da ala de progressão da Penitenciária 2. Apenas 5% dos detentos do IPA não retornaram. Na P1, o índice de evasão foi de 16% e na P2, de 10%

Desde a primeira série de atentados atribuídos ao PCC, tanto a Polícia Civil quanto a Militar, estão trabalhando em estado de alerta. E mesmo não havendo nenhum ataque aos policiais e agentes penitenciários em nenhuma das ofensivas do PCC em Bauru, a maioria deles já mudou a rotina. Um policial civil, que preferiu não ter o nome divulgado, conta que no período de maior tensão chegou levar a sua família para casa de seus pais.

“Mas só fiz isso porque moro no andar térreo de um prédio, o que não oferece muita segurança. Se vivesse no terceiro, por exemplo, teria permanecido em casa”, garante. Ainda sim, confessa que antes de entrar na sua garagem, dá algumas voltas no quarteirão por precaução. Sobre os boatos de uma possível ofensiva do PCC no Dia dos Pais, ele ainda não está convicto.

“Ouvi que eles iriam atirar em aglomerações de pessoas. Mas pode não acontecer nada. Eles sabem que a polícia está trabalhando”. Para um policial militar, manter o equilíbrio é fundamental. “Estamos de olhos abertos. Nessas horas, o estado psicológico tem que se manter tranqüilo”, diz.

Endereços

Os agentes penitenciários estão mais temerosos. A apreensão dos funcionários das unidades prisionais é por conta da megarrebelião ocorrida em maio. Durante a revolta, os detentos tiveram acesso aos arquivos pessoais dos agentes, como endereço e dados da família. “Quem costumava sair, está ficando em casa”, conta uma funcionária do Centro de Detenção provisória (CDP).

Um agente que atua na penitenciária de Balbinos, confirma. “A única coisa de diferente que eu faço, é ir na casa da minha namorada. O resto, é faculdade e trabalho”, conta.

Para um funcionário da Penitenciária 2 (P2) de Bauru, a saída dos presos em agosto, é um risco para os agentes. “Muitos estão marcado para morrer. Aí, saem com alguma missão do presídio. O que eles têm a perder? É um absurdo ter saidinha“, critica. “É verdade. Muitos estão em dívida e serão cobrados a cumprir a tarefa”, concorda um colega.

Comentários

Comentários