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Linguagem dos cadáveres

Elias Mattar Assad
| Tempo de leitura: 2 min

A guerra é o império do caos e a antítese do direito. Uma nação que sentiu o troar dos canhões e os clarões dos incêndios, que recolheu e pranteou seus mortos mais que qualquer outra, valoriza a paz. Fácil falar de guerra à longa distância, onde ela apenas preenche páginas de jornais e espaços nos noticiários. A coordenação do “Encontro Brasileiro de Direitos Humanos” recebeu um emocionado apelo em forma de denúncia, do Comitê Brasileiro de Solidariede, com fotos comprobatórias dos horrores que atingem o povo libanês. Pessoas mortas (inclusive brasileiras), mutiladas, carbonizadas, outras ainda em vida, ardendo em chamas enquanto agonizam, em cenas dantescas ou que nem mesmo Dante conseguiria retratar. A história mostra o povo de Israel como alvo de antigas e recentes opressões como a que marcou a Segunda Guerra Mundial. Um povo em que as cicatrizes do holocausto remanescem e que as invocam continuamente ao mundo, contraditoriamente, estão impondo o terror e a morte para uma população indefesa, como se a violência fosse a alternativa para a resolução de conflitos. A denúncia fala em genocídio e as imagens dão conta de bombardeios indiscriminados contra cidades inteiras, deixando apenas as montanhas como refúgio. Quem opta pelos horrores da “linguagem dos cadáveres” para resolver conflitos, desprezando o direito internacional, além de negar a própria evolução do ser humano, atrai a antipatia e a reprovação dos demais povos. Felizmente entre os israelenses já se formam fortes grupos de direitos humanos que reprovam tais métodos e também clamam pela paz. Nossos verdadeiros inimigos são os sentimentos negativos como raiva, ódio e vingança. O Estado de Israel não pode alimentá-los. As conseqüências desses atos, como exemplos negativos, não se circunscreverão mais a determinados pontos do planeta. Devemos todos nos esforçar para fazer imperar a “luz da palavra”, com o diálogo entre as nações, seguindo as pegadas de excepcionais pensadores como Montesquieu, Jean Jacques Rouseau, Lebon, Kelsen, dentre tantos outros que ergueram as bases nas quais os Estados surgiram tendo como peça fundamental a dignidade da pessoa humana. Em situações de conflitos como a exposta não há vencedores, apenas vencidos... Relembrando Gandhi: “Não há um caminho para a paz, a paz é o caminho”. (O autor, Elias Mattar Assad, é presidente da Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas)

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