Em setembro deste ano, a Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB), que ligava Bauru a Corumbá (MS), completaria 100 anos. Hoje, grande parte do trecho - 1,3 mil quilômetros - encontra-se desativado, preservando-se apenas na memória dos ferroviários e das cidades cortadas pelas linhas do trem. Todo esse saudosismo foi registrado no documentário “100 anos de ferrovia Bauru-Corumbá”, da produtora bauruense Imagem & Ação.
Durante 23 dias, a equipe, coordenada por Almir Cardoso e Walter Itajubá, percorreu aproximadamente 3 mil quilômetros de trem e de carro, colhendo depoimentos de moradores e captando imagens de 50 cidades, contabilizando 11 horas de gravação. “Nossa intenção não foi mostrar o atual estado de depredação da ferrovia, mas sim registrar o saudosismo das pessoas pela volta do trem de passageiros”, explica Cardoso.
Entre as imagens, vale ressaltar as realizadas em Puerto Quijarro, na Bolívia, fora do trecho Bauru-Corumbá. “Como estávamos perto, decidimos ver como estavam os trens na Bolívia. Ficamos admirados ao constatar que lá existem trens de passageiros com modernas tecnologias”, aponta o produtor.
A equipe também colheu depoimentos de funcionários da América Latina Logística (ALL), que assumiu recentemente o controle da Brasil Ferrovias, que compreende a extinta NOB. “Eles não têm pretensão de retomar os trens de passageiros, mas em contrapartida, há planos de modernização para o transporte de carga do trecho Bauru-Corumbá”, afirma.
As últimas imagens foram feitas na quinta-feira na Estação Central de Bauru, recriando um embarque e desembarque de um antigo trem de passageiros. “Contratamos atores para fazer uma homenagem aos ferroviários”, conta Cardoso.
Agora o documentário, com previsão de duração de 65 minutos, está sendo editado para ser lançado antes do dia 12 de agosto. “Faremos uma festa de pré-lançamento no Museu Ferroviário Regional, mas a data ainda não foi definida. No dia 12, o vídeo será exibido às 12h45 no SBT”, afirma o produtor.
O documentário, orçado em R$ 6 mil, foi custeado pela produtora com o apoio do Jornal da Cidade e da TV FIB, que cedeu todo o equipamento para as filmagens. “Usamos tecnologia digital. Todas as imagens foram gravadas com duas DV-Cam, cedidas pela TV FIB”, diz Cardoso, que contou com uma equipe formada por quatro pessoas, entre diretor, assistentes e motorista.
A TV FIB também exibirá o vídeo no dia 10 de agosto, às 12h45. Além dessas emissoras, a produtora está fechando uma parceria com a TV Cultura para a divulgação do vídeo. O documentário também será gravado em DVDs que serão posteriormente distribuídos a museus, secretarias municipais de Cultura e escolas interessadas.