Primeiramente quero dizer que não sou bauruense, mas prezo muitos amigos que aí tenho. Contudo, tomo a liberdade de falar de um assunto que já deu muito “pano para manga”.
Parem de colocar em pauta deste tão digno jornal protestos sobre a famosa “Casa Eny”. São vocês mesmos que estão dando quorum para o assunto estar sempre em evidência. Sou dos anos 60, ouvi estórias desse prostíbulo, estudei com garotas de programa de lá, fui amiga de freqüentadores assíduos do ambiente supostamente “condenável” e nunca me senti diminuta, envergonhada, desonesta ou outra qualidade que queiram me dar. Sempre os tratei como irmãos, alguém com quem convivia mas nada me corrompeu, porque isso a D. Eny ensinava direitinho - respeito, o limite e o direito de quem estava perto de suas meninas.
Oras bolas, quando um não quer entre dois não haverá briga, isto vale também no caso da Casa Eny.
Relatar os fatos dos anos 68 e 69, os ilustres freqüentadores é, coisa mais velha que “antena” até os gatos sabem disso. Esqueçam, essa mazela!
Virar minissérie, por que não?
São Paulo sofreu algum abalo moral ou social com a mini-série e filme “Carandiru”?
A Rio de Janeiro tornou-se mais humana, hospitaleira ou baixou o índice de mortes após o filme “Chacina da Candelária”?
Caros amigos e amigas, fatos chocantes e nefastos acontecerão hoje, amanhã, no Brasil, China, Etiópia, Arroio do Chui, em Balbinos, Paranapanema e outras cidades (cito-as apenas como exemplo).
Onde está a lista de autoridades ou cidadãos comuns que conseguiram resolver fatos indesejáveis?
Fiquem certos aconteceu o Caso da Casa Eny em Bauru podia ser em qualquer outro lugar. Mas sinceramente, o que vale é o brio do povo bauruense que prevalece sobre tão pequena causa. Leiam os depoimentos do: A “Bauru que sonhamos”. São maravilhosos, esperançosos, cheios de fé.
É a voz de um povo bom, alegre, embora sofrido; que em momento algum citou “O Caso da Casa Eny” como algo de preocupação.
Deixem de lado o caso da Casa Eny, por favor.
Em tempo; o Centrinho, a Faculdade de Odontologia, Hospital Lauro de Souza Lima e outras grandes entidades fizeram sua fama mundial com os órgãos que as dirigem. Jamais a população do Brasil e de outros países ao referir a cidade de Bauru falaram desta “casa de vida fácil” e sim destas entidades maravilhosas que aí estão na cidade sem limites, acolhidas.
Bauru nunca foi e nem será reconhecida por este fato tão comum. Parabéns Bauru, pelas milhares de escolas, entidades assistenciais, médicas e muitas outras coisas fantásticas que a torna sem limites.
Claire Terezinha Rodrigues Nunes - RG 4.852.081 - Macatuba