Polícia

PM recolhe 171 latas com cerol para pipa

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 2 min

Com milhares de pipas no céu, a diversão do aniversário de 110 anos de Bauru ontem estava garantida. Porém, muitos preferiram ir ao Parque Vitória Régia com uma verdadeira arma nas mãos: o cerol, o cortante feito à base de vidro moído e cola. A Polícia Militar (PM) apreendeu 171 latinhas com linhas embebidas na substância cortante e uma pessoa foi detida com o produto. Na festa do ano passado, foram apreendidas 92 latas.

Anteontem, foi realizada uma simulação sobre os perigos do cerol no Calçadão da Batista de Carvalho. A apresentação contou com situações em que a linha enrosca no pescoço de motoqueiros, demonstrações da linha cortando vegetais e relatos de casos de pessoas que perderam a vida por causa do cerol. Mesmo com o alerta, muita gente resolveu colocar a segurança dos outros em risco e foi ao parque com a linha cheia da substância.

Wellington José Batista da Silva, 20 anos, foi uma delas. Pego pela polícia passando cerol em uma linha no início da tarde, foi conduzido ao Plantão Policial com uma lata com linha cheia de cerol enrolada, uma tesoura e cola. Além das 121 latinhas apreendidas ontem, a PM também encontrou material usado para fabricar o cerol. Desde às 7h30 empinando pipas, Emerson Juliano Raimundo, 12 anos, saiu do Parque Santa Edwirges com os colegas para comemorar o aniversário da cidade. “Eu não uso cerol. Vou só soltar a minha pipa e não mexer coma de ninguém”, disse.

Apesar de ser um belo espetáculo no céu, alguns vizinhos do Parque Vitória Régia não estavam muito felizes com as pipas. Uma moradora do local, que pediu para não ter o nome divulgado, reclamou muito dos adolescente que estavam com papagaios em frente a sua casa. “A linha esbarra na cerca elétrica e toca o alarme dentro de casa. Isso o dia inteiro, desde às 9h. Enquanto para os outros é um dia de festa, para os moradores daqui é um martírio”, diz.

Ela sugere que o evento seja transferido para um local afastado dos bairros residenciais. “Eles tentam pegar as pipas enroscadas nas cercas elétricas. E se alguém toma um choque?”, questiona.

O Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) de Bauru registrou, de janeiro até o início da semana, 436 chamadas denunciando o uso da linha com cerol. Além da apreensão, a linha com cerol gera implicações legais. A criança e os pais são levados à delegacia de polícia. Há implicações no Código Penal, no Estatuto da Criança e Adolescente e na Lei 12.192 de 6 de janeiro deste ano, que prevê multa de aproximadamente R$ 70,00, de acordo com informações do capitão Jorge Duarte Miguel, que coordenou as demonstrações de segunda-feira.

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