O Fórum Reginal de Inovação Tecnológica, realizado em Bauru, recebeu ontem a presença de prefeitos da região e representantes de segmentos da sociedade que discutiram os mecanismos para a promoção da inclusão social na região.
O representante do Ministério da Ciência e Tecnologia, Roosevelt Tomé, veio de Brasília para participar do fórum, que contou com a presença do prefeito de Bauru, Tuga Angerami.
Para o representante do Ministério, o Fórum tem o objetivo de proporcionar à comunidade a oportunidade de discutir e compartilhar demandas que possam se transformar, futuramente, em projetos práticos. “O objetivo é proporcionar as comunidades, sobretudo as prefeituras e instituições, oportunidades de discutir e compartilhar essas demandas para que possam trazer à tona projetos que viabilizem o desenvolvimento sustentável local. O Fórum tem um papel fomentador. Ele fomenta a crítica, o debate e, a partir desse debate, a construção de projetos”, comenta. Segundo ele, o apoio aos projetos apresentados implica de eles estarem de acordo com a expectativa do Governo além da disponibilidade de recursos existentes.
Durante abertura do evento, Angerami se disse preocupado com o analfabetismo científico e tecnológico presentes na maior parte da população Segundo ele, este tipo de analfabetismo leva, muitas vezes, as pessoas a buscarem “saídas miraculosas” para resolver seus problemas.
“O fato de termos pessoas que não tiveram acesso aos conhecimentos, que foram gerados ao longo deste tempo, a tornam reféns exatamente dos mistificadores, podendo comprometer até mesmo uma democracia que ainda se estrutura”, disse.
De acordo com Sinoel Batista, coordenador executivo do Fórum, existem várias estratégias de inovações tecnológicas que estariam sendo aplicadas na luta contra a pobreza para a promoção da inclusão social. “A criação de alimentos para a produção de merenda escolar, agregado (à inclusão) de ferro por exemplo, serve como instrumento de combate à desnutrição”, citou, complementando que isso foi possível graças à inovação tecnológica que utilizou a nanotecnologia. “Cerca de 97% a 99% da demanda de alunos na faixa de 7 a 14 estão dentro de uma sala de aula. Então, a merenda escolar tem um forte alcance (na sociedade). E se considerarmos que para a população de baixíssima renda o prato de merenda escolar, muitas vezes, se transforma na melhor refeição do dia, existe um alcance grande (do uso da tecnologia para inclusão social)”, conclui.
As ações sociais realizadas em outros municípios foram apresentadas ao longo do evento. Um projeto já em andamento, o “Cidadão Especial”, foi exposto na entrada do teatro por um grupo de bauruenses. “Este projeto visa o desenvolvimento de um sistema (de computador) bem como o manual de orientação que será disponibilizado gratuitamente para todas as pessoas do País. Ele está em desenvolvimento e tem previsão de lançamento em outubro de 2006”, explica Leda Rodrigues, funcionária da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Bauru, que participa do projeto destinado às pessoas com deficiência mental e física.
De acordo com a consultora científica do projeto, Grace Cristina Ferreira, o programa de computador também disponibiliza informações sobre direitos do cidadão.
Ferreira explica que o sistema será aberto e poderá ser copiado e utilizado por qualquer pessoa ou instituição. “É um sistema livre. A logística de como será a distribuição ainda está sendo estudada. Mas será aproximadamente de 400 a 1.000 cópias, tanto do sistema quanto do manual e também a disponibilização na Internet”, comemora.
Para o advogado Eduardo Janone da Silva, consultor jurídico do projeto, a realização de fóruns possibilita que trabalhos como este cheguem ao conhecimento, não só da sociedade como também do próprio Ministério de Ciência e Tecnologia. “Existem projetos muito bons situados no Interior do Brasil e essas experiências, como o Fórum de hoje, traz a possibilidade de que esses projetos venham à tona e venham também ao conhecimento do próprio Ministério de Ciência e Tecnologia, assim como de outros órgãos”, comenta.
O prefeito de Botucatu, Antônio Mário Ielo (PT), também esteve presente ao Fórum. Para ele, a realização deste tipo de evento regional é importante para que os gestores das cidades possam estar conversando e trocando idéias. “Não se conversa com o município e o município não se conversa com o Estado. Então, quando se tem a oportunidade de um Fórum como este, em que se sentam à mesma mesa os gestores municipais, estaduais, federais, as empresas, as universidades e, principalmente àqueles que vivem os projetos através das ONGs (Organizações Não- Governamentais), é possível discutir e aprender mais e começar a montar uma estratégia de planejamento regional”, acredita.
De acordo com o coordenador do evento, este é o terceiro fórum realizado no Estado de São Paulo este ano. Ele lembrou que no ano passado foram seis Fóruns e que, até o final deste ano, pelo menos outros quatro serão realizados.