Polícia

Cerol corta até pára-choque de automóvel

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 2 min

Na mesma semana em que a Polícia Militar (PM) aprendeu 171 latinhas com linhas embebidas em cerol (cortante feito à base de vidro moído), na terça-feira no Parque Vitória Régia, uma linha com o mesmo material chegou a cortar o pára-choque de um automóvel, em Bauru.

Ontem de manhã, José Donizete estava trafegando com seu carro pela rodovia Marechal Rondon a caminho de Lins e quando passou pelo viaduto próximo do Parque Vista Alegre, em Bauru, teve uma surpresa. “Eu cheguei a ver a linha, mas não vi se tinha ou não pipa”, afirma. Quando chegou em Pirajuí, parou para almoçar e viu o estrago. A linha cortou o pára-choque e parte dela ficou presa dentro dele. “Não estou preocupado com o que aconteceu com o carro, mas sim com o perigo do cerol. Enquanto a polícia faz campanhas de conscientização, as pessoas continuam usando o cerol”, alerta. “Se fosse uma pessoa que estivesse passando pelo local, teria morrido”, preocupa-se.

Donizete procurou a Polícia Militar, que fotografou o automóvel. “Eles utilizarão as imagens para mostrar o perigo aos adolescentes”, explica.

Também preocupado com a conscientização, o mineiro Lídio Fernandes Costa investe em campanhas por todo o Brasil. Em 1999, o irmão dele foi morto em um acidente de moto, vítima de cerol. Desde então, ele viaja de moto também, mas protege-se usando duas antenas de ferro presas ao guidom. “As antenas impedem que a linha chegue perto do pescoço do motociclista. Além disso, uso um colar especial”, afirma. Em suas viagens, Costa faz palestras, organiza passeatas e informa as pessoas sobre os perigos do cerol. “Busco dados com os bombeiros e informo a todos do número de acidentes do local onde moram”, conta.

No dia 31 de julho, uma simulação sobre os perigos do cerol foi feita no Calçadão da Batista de Carvalho. A apresentação contou com situações em que a linha enrosca no pescoço de motoqueiros, demonstrações da linha cortando vegetais e relatos de casos de pessoas que perderam familiares por causa do cerol.

Jéssica Inácio Felipe, de 5 anos, quase foi vítima de acidente grave. Ela andava de bicicleta na rua de sua casa, há cerca de oito meses, quando foi surpreendida por uma linha com cerol em seu pescoço. Sofreu ferimentos de pequena gravidade, mas sua família se tornou multiplicadora de informações para a conscientização dos pais.

O Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) de Bauru registrou, de janeiro até o início da semana, 436 chamadas denunciando o uso da linha com cerol. Além da apreensão, a linha com cerol gera implicações legais.

A criança e os pais são levados à delegacia de polícia. Há implicações no Código Penal, no Estatuto da Criança e Adolescente e na Lei 12.192 de 6 de janeiro deste ano, que prevê multa de aproximadamente R$ 70,00.

• Serviço

Mais informações sobre a associação que Lídio criou para conscientizar sobre os perigos do cerol pelo site www.motoboys.com.br.

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