Piratininga – A cidade de Piratininga vive um momento nebuloso para seus mais de 11.186 habitantes. O efeito do caos que se instalou na cidade pela disputa política é uma população perplexa e que vê projetos básicos sendo colocados em segundo plano, enquanto só se fala no afastamento do prefeito Mauro Martinão ou no seu possível retorno. A própria vice-prefeita, Sílvia Mendes Soares (PSDB), deixa transparecer que, desde que assumiu o cargo, há quatro meses, a cidade parou.
Hoje, Piratininga está acuada por sete comissões processantes na Câmara Municipal, que se equilibram em lances políticos na disputa entre Martinão e o Legislativo.
Desde a última terça-feira, como noticiou com exclusividade o JC, a Câmara aprovou mais duas processantes. Para tanta apuração de possíveis irregularidades cometidas por Mauro Martinão, falta vereador. O Legislativo possui nove parlamentares, enquanto cada CP necessita de três membros escolhidos em sistema de sorteio no plenário.
Para o munícipe Antonio Carlos Fontes, 60 anos, tantas CPs são impossíveis de serem administradas. A CP da Madeira, por exemplo, já obteve ampliação de prazo por mais 90 dias. Na terça-feira, foi a vez do presidente da CP da Frota de Veículos, o vereador Claudinei Aparecido Balduíno (PFL), solicitar adiamento por mais 90 dias dos trabalhos. Ele justificou seu pedido pela estratégia utilizada pela defesa de Martinão de apresentar atestados médicos consecutivos, impedindo sua presença para depor.
Também argumentou que já acumula mais de 5.000 páginas de documentos, volume difícil de ser gerenciado por três vereadores. Além disso, Balduíno figura como relator na CP do Sistema Integrado de Resolução do Lixo Urbano. Ele comenta que integra as duas maiores processantes em termos de volume de documentos.
“Muitos munícipes estão preocupados com nossa cidade. O principal questionamento é que Piratininga está parada”, admite. Ele comenta que, na medida do possível, os nove vereadores estão conciliando o trabalho de apuração nas CPs e as demandas parlamentares, a rotina de sessões e as votações da Câmara.
O presidente do Legislativo, o vereador Emygdio Antonio Mansanaro (PP), considera que a situação é muito complicada. “Não vou dizer que a cidade parou. Acho que os trâmites que têm de ser feito pela prefeitura é que pararam”, avalia. Ele cita a verba para asfalto recém-aprovada e que a prefeita poderia pôr em licitação. Entretanto, falta o pessoal da administração fazer o processo andar. Mansanaro lembra que o município vive de aparência e que a população entende que as coisas estão caminhando, por exemplo, se há obras em andamento. “Por causa desse estardalhaço, a cidade está meio apagada”, entende. Nas páginas 26 e 27, a reportagem do JC mostra o contexto caótico em que Piratininga está mergulhada.