Piratininga - A prefeita Sílvia Mendes Soares (PSDB) explica que está “reinventando a roda” em meio ao caos em que se transformou a administração de Piratininga. Como exemplo, cita que está adotando a nova metodologia no caso do transporte de universitários para Bauru e Agudos. “Garça tem algo interessante. O Ênio (Simão), em Duartina, tem outras coisas. Estou chegando agora (na administração) e não estou querendo falar que eu sei tudo. Então, vamos aprender o que funciona, e o que não funciona em outros lugares vamos tentar inventar juntos”, justifica.
Ela comenta que seu perfil político é de aglutinar forças com outras pessoas. “Então, o que a gente não sabe aqui em Piratininga, vamos aprender aqui por perto.” Ela explica que na questão do transporte de ônibus, o modelo de Duartina pode ser viável para Piratininga.
Segundo Soares, o modelo de transporte dos universitários em Piratininga estaria irregular. “A gente tem ônibus muito velho e não posso manter dessa forma. Preciso compor com empresas. Mas também não posso deixar os universitários sem transporte”, argumenta.
Outro problema que passou a ser comentado na cidade no início da semana era o risco dos servidores públicos ficarem sem salário já neste mês e também nos próximos. Em regime de urgência, Soares enviou para a Câmara Municipal de Piratininga um projeto de suplementação orçamentária (crédito suplementar) no valor de R$ 800 mil. Os vereadores discutiram rapidamente a questão, após parecer favorável da Comissão de Justiça. Na manhã da última sexta-feira, reunidos em sessão extraordinária, os parlamentares aprovaram o crédito. Ninguém quer ficar com mais um desgaste político, com os funcionários públicos municipais.
A prefeita explica que com os recursos aprovados para reforçar o orçamento, oriundos de um excesso de arrecadação, haverá uma folga para administrar a prefeitura.
O advogado Conrado Segalla foi contratado pela Câmara Municipal para atuar como consultor em quatro CPs. Na semana passada, o contrato foi rescindido sem que Segalla tenha exigido nada do Legislativo. Com sua experiência como consultor jurídico na Câmara Municipal de Bauru entre 2003 e 2004, ele viu de perto a encrenca política que se formou desde abril em Piratininga.
De acordo com Segalla, os problemas estão no começo, porque caso seja cassado o prefeito Mauro Martinão, ainda há várias instâncias em que pode reverter a cassação. Ele entende que a situação gerada pela disputa política, agravada pela instalação de CPs, tem um reflexo muito intenso para uma cidade do porte de Piratininga. Diferente de Bauru, Segalla entende que Piratininga depende muito do que acontece em torno da prefeitura. “A prefeitura é a maior geradora de renda. A cidade tem uma estrutura, mas não dá para dizer que é totalmente isenta. A divisão política na cidade é mais intensa”, explica.
O ponto nevrálgico da questão, segundo Segalla, é que metade da cidade é partidária de Odail Falqueiro e a outra metade é Mauro Martinão. “A cidade pára. Aí começa uma troca de acusações e daí começa um fenômeno que a gente vê em desenho animado de areia movediça. Quanto mais você mexe, mais afunda”, justifica.