A Companhia Paulista de Estrada de Ferro, depois Fepasa, quando operava em nossa região, não só servia com transporte de passageiros e cargas, mas também com utilidade pública. Todos os dias, por meio da campainha existente para anunciar a partida do trem oriundo da próxima estação, com um toque diferenciado, anunciava que eram 9 horas, horário oficial de Brasília.
Algumas repartições públicas e estabelecimentos comerciais telefonavam à estação local para acertar seus relógios. O cabo da Polícia Militar, recém-chegado à cidade de Gália, desconhecia que na estação havia um funcionário por nome de Machado e, ao ligar para solicitar a hora certa, houve o tradicional alô e imediatamente inicia o diálogo se identificando:
- Aqui é o cabo. Prontamente recebe a resposta:
- Aqui é o Machado. E o diálogo se estende por longo tempo com as mesmas frases, aqui é o cabo, aqui é o Machado.
O cabo, ao imaginar estar sendo objeto de escárnio e depois de muito esbravecer, pede tratamento respeitoso, do outro lado acontece o mesmo com Machado. Os ânimos estavam a se acirrar disparadamente quando ao lado um soldado inteirado do assunto com o intuito de pôr fim ao ríspido diálogo, informa ao cabo que na estação existe realmente um funcionário por nome de Machado. Na primeira oportunidade, o cabo e Machado se conheceram pessoalmente, tudo foi esclarecido e tornaram-se grandes amigos.
Nilton Bertinotti - RG 4.669.031