Polícia

PM estoura bomba endereçada à TV

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Depois de um dia relativamente tranqüilo na região e também em todo Estado de São Paulo, Bauru registrou a primeira ameaça de uma facção criminosa a um alvo civil. Uma carta com material explosivo foi encontrada em uma caixa de correio na Praça das Cerejeiras, no final da tarde de ontem. O envelope estava endereçado a um funcionário da TV Record. O remetente era a Facção Final - até então desconhecida pela Polícia Militar -, de Presidente Bernardes.

Um funcionário da agência, ao final do expediente, ia carimbar as correspondências recolhidas na caixa localizada ao lado externo do prédio quando, ao manusear um dos envelopes, percebeu que um pó preto caiu de dentro dele. A PM foi acionada. Em poucos minutos, diversas equipes chegaram à agência. O capitão Jorge Duarte Miguel, comandante da 1.ª Companhia, tenente João da Costa Duarte, comandante da Base Sul, e a equipe do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) participaram da operação.

O envelope foi levado até o centro de tratamento de cartas e encomendas dos Correios, localizado no Distrito Industrial 1.

A correspondência foi examinada em uma máquina de raio-x, que detectou a presença de 16 gramas de pólvora dentro do envelope e mais uma segunda substância não identificada. A carta ainda passou por outro aparelho, o espectrômetro de massa, que também não determinou a composição da segunda substância.

Uma das hipóteses levantadas pela PM é que, ao abrir a correspondência, os dois componentes químicos poderiam reagir e desencadear a explosão. Para evitar qualquer dano, a PM levou o envelope até o Horto Florestal e detonou a carta. Foi utilizada uma granada GL 304, de som e luz. Os policiais enrolaram o envelope no explosivo e o dispositivo foi detonado pelo tenente Ricardo Folkis. Não sobrou nenhum vestígio da correspondência, apenas restos da granada. “Se o envelope fosse manuseado pelo destinatário, poderia causar a explosão. Com a quantidade de explosivo, a pessoa poderia perder as mãos e a visão”, calcula.

Assim que os técnicos examinaram o envelope, constataram características encontradas em cartas-bomba, como o cheiro familiar de pólvora e excesso de selos. Na carta, endereçada ao funcionário da TV Record, havia três selos. Segundo o 1.º tenente Renato Ramos, da Força Tática, é a primeira vez que uma carta como essa é apreendida em Bauru. Há dois anos, foi encontrada uma encomenda com um artefato explosivo, mas ele não possuía detonador e não era endereçado a Bauru.

Todos os dias, chegam ao centro de tratamento de cartas e encomendas dos Correios de 25 mil a 30 mil sedex, além das correspondências e encomendas de Bauru e região. Alguns envelopes são pré-selecionados para o exame de raio-x. A carta-bomba não passou por esse processo porque o funcionário da agência desconfiou do conteúdo do envelope assim que o retirou da caixa externa dos correios.

Os policiais não ligaram o remetente ao Primeiro Comando da Capital (PCC), mas não descartaram esta possibilidade. “O objetivo de uma ação como essa é causar intranqüilidade, alvoroço na comunidade”, avalia o capitão Jorge. Há, ainda, a possibilidade da intitulada Facção Final ser uma dissidência do PCC.

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Segurança

O 1.º tenente Renato Ramos, da Força Tática da Polícia Militar (PM), pede que pessoas públicas e da imprensa permaneçam atentos à correspondências suspeitas. Ele detalha que cartas-bomba, geralmente possuem excesso de peso e de selos, remetentes incompletos e volumes incomuns. “Se você receber um envelope de remetente inesperado, não abra a carta. Tente checar o remetente. Suspeitando de alguma coisa, chame imediatamente a polícia”, aconselha.

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