Temos visto nas últimas semanas as notiícias sobre o escândalo em cartaz, o das sanguessugas que vêm a suceder o do mensalão e este o do Valdomiro dos bingos e assim continuamente. Agora a discussão é se o mensalão é municipal, estadual ou federal. E ainda se começou no PSDB ou no PT.
Mas um ponto tem sido amplamente divulgado. É o envolvimento da chamada “bancada evangélica” no escândalo. A Rede Bandeirantes de TV abre sempre o seu noticiário comentando o número de parlamentares envolvidos (variando de 50 a 120) e sempre complementando com o número de “evangélicos” envolvidos, iniciando em 17 e chegando até 24 e não tem sido só a Band, mas a maioria da imprensa. Sobre isto, cabem duas observações;
A primeira é o erro matemático, juntado à descriminação feita por estes órgãos de imprensa, pois se considerarmos 120 legisladores envolvidos e 24 evangélicos, como cita a Band, teremos 20% dos sanguessugas evangélicos, e se considerarmos o IBGE na população brasileira (projeções para o ano 2000) existem em torno de 25% de população evangélica. Conclusão, ainda estamos abaixo da média. Teríamos, por uma questão de justiça, também destacar que existem 80% que não evangélicos, entre católicos, budistas, judeus, espíritas, mulçumanos, mórmons, TJs e até ateus. E ainda sem cometer erro de julgamento que a maior parte desta bancada ou seria melhor falar “cambada” pertencem a uma só organização (me recuso a defini-la como igreja), que fazem questão de não se dizerem como evangélicos, mas sim como neopentescostais e que tinham e talvez pela providência divina não tenham mais a pretensão de chegarem a eleger um presidente para o Brasil. Misericórdia!
A segunda observação é a lembrança de tempos passados, onde a simples menção de que uma pessoa como evangélica fazia com que fosse reconhecida como honesta, proba, sem vícios, nunca envolta em mentiras e isso era reconhecido até por ateus e por pessoas de todos os credos. O que mudou? A resposta é o envolvimento, não só de evangélicos, mas até mesmo de algumas igrejas como instituição e de suas lideranças, em política partidária. Não se aprendeu com as verdades bíblicas e históricas, como no estado Hebreu, onde raras vezes o poder político e o poder temporal estavam sobre a mesma pessoa, quando tínhamos o Rei Saul, tínhamos o profeta Samuel, quando tínhamos a Davi, tínhamos a Nathan, e ao Rei Baasa e Jéu, e Acabe a Elias, Neemias a Esdras e muitos outros exemplos. A mistura entre estas duas funções quase sempre foi desastrosa, pois o Rei absoluto de outrora (hoje é representado pelos três poderes - Executivo. Legislativo e Judiciário), e é necessária uma contrapartida, para que se tivesse alguém que servia verdadeiramente a Deus, e que pudesse quando necessário admoestar este Rei e esta pessoa deveria ser totalmente independente, prestando conta somente a Deus.
O que vemos hoje são lideres carismáticos que usam de sua inflência e a credulidade de um povo que deseja fazer a vontade de Deus e são manipulados por estes líderes quase sempre usando isto em proveito próprio. Acredito em uma lógica que diz que se um pastor é um bom pastor e se torna candidato, sua igreja não deveria votar, nele pois ira perder um bom pastor e se ele não é um bom pastor também não será um bom líder e também não merece ser votado.
No caso de Bauru, me vem em mente o nome de dois pastores, verdadeiros lideres de grande ministério hoje, em meu entender, felizmente, sem mandato popular e que tiveram seus ministérios reduzidos em tamanho e eficácia devido à insistência em concorrer a cargos públicos e fico pensando nas centenas de almas que seriam impactadas por estes homens de Deus se concentrassem suas forças não em ser mais um político, mas sim em lideres cristãos (pequenos Cristos) que imitassem o seu Senhor quando diz: “O meu reino não é deste mundo”
Márcio M. Carvalho - bauruense e evangélico