As luminárias do cenário do “Acústico MTV” dos Engenheiros do Hawaii projetam o clima de intimidade que pedem os sucessos da banda, em versões agora mais invernais e aconchegantes, levadas à origem e redesenhadas em violões sem perder sua força. O show que a banda gaúcha traz de volta a Bauru, entretanto, é diferente do ano passado, na opinião de Humberto Gessinger, especialmente no que tange a seleção das canções e a interação com os músicos.
“Esse foi um show que cresceu. Fazemos questão de sempre tocar todas as músicas que estão no disco e mais oito ou nove. Essas outras canções são os momentos que a gente usa para ter o show sempre novo também para a banda”, comenta o engenheiro-chefe, em entrevista ao JC Cultura. A turnê acústica já dura mais de 15 meses – a mais longa da banda – e, para Gessinger, alcançou um patamar técnico e musical diferente de outros shows.
“No início, tu não dominas o show tão bem tecnicamente, mas tem a coisa do frescor de estar lançando um trabalho. Com o tempo, isso vai dançando, essa coisa da novidade, mas tu ganhas maior domínio técnico sobre a forma do show. Nesse final de turnê, estamos bem mais à vontade”, completa. Além de Gessinger (voz, violão, viola, harmônica e piano), a formação atual do grupo conta com Pedro Augusto (teclado), Fernando Aranha (violões), Bernardo Fonseca (baixo) e Gláucio Ayala (bateria e vocais).
Duas diferenças serão mais óbvias para os fãs. O cenário ganhou um praticável que gira enquanto Gessinger apresenta o set com as músicas nas quais toca piano. E há ainda a presença de uma viola caipira em boa parte do show. “Comecei a tocar viola caipira há meio ano e faço quase metade do show com ela. É uma nova paixão e é engraçado, porque não há tanta tradição de viola caipira aqui no Sul, é mais violão de nylon. Me fascinei pelo instrumento e ele aparece bastante no ‘Acústico’, até sinto por ele não ter pintado na gravação original”, revela o vocalista.
Músicas inéditas
Gessinger deseja que a sonoridade da viola caipira também marque presença no novo disco dos Engenheiros, previsto para chegar aos fãs em março do próximo ano. Na última vez em que esteve em Bauru, há pouco mais de um ano, ele afirmou que o formato do show acústico havia capturado sua mente e seu coração e que não tinha, na época, nenhuma vontade de compor ou de entrar em estúdio. As coisas mudaram?
“Então... Eu recomecei a compor em fevereiro, deu uma febre e compus muito. Tenho impressão que até então eu continuava sem escrever nada, ou muito pouco. Comecei a desenvolver um lance com a galera que está tocando comigo, é algo que acontecia mais esporadicamente, mas para o disco novo resolvi investir nisso. Estou compondo letra e música ou colocando letra numas músicas que a galera fez”, conta.
Segundo o vocalista, as 12 canções do novo disco já estão selecionadas e a banda deve entrar em estúdio em novembro. “Serão duas mais acústicas e as outras bem ‘fullgás’. Todas são inéditas, metade das músicas é só minha e metade com a banda. Penso que não vamos parar para gravar, quero passar por vários estúdios. Aconteceu um amadurecimento muito grande com essa formação e pensamos em registrar isso. Queremos gravar algumas coisas ao vivo, no estúdio”, afirma.
Para Gessinger, a revolução no mercado musical, com a explosão de downloads e trocas de canções pela Internet, ainda não levou a um futuro definido. Assim, ele diz acreditar no lançamento de um conjunto de canções inéditas em uma obra fechada, ou seja, um CD.
“Vejo a relação que tenho com artistas que gosto. Não quero saber se o disco é ruim ou bom, eu compro sem saber o que vou encontrar. Cada vez é mais difícil dizer o formato de cada obra, se é um disco, uma música só, um arquivo... Por outro lado, no que diz respeito à arte, não acredito que chegaremos nesse paraíso onde tudo é de graça. Antes, quero que o McDonalds seja de graça (risos). Enquanto essa pseudo-revolução acontece somente na produção intelectual, fico com pé atrás”, analisa. “Muitos fãs estão interessados nesse diálogo com a banda, de buscar a produção completa, independente de que tipo de sabor vai ter o disco. É muito difícil você botar um selinho de preço em uma música”, completa.
• Serviço
Engenheiros do Hawaii faz show hoje na Associação Luso Brasileira de Bauru a partir das 23h. Ingressos à venda nos Postos Flag, Angel Music, Music Sound, Jô Calçados, Arqvídeo, Rythmos Academia e na Luso: R$ 25,00 (preço promocional e para estudantes) e R$ 40,00 (área VIP, apenas na Luso). Mais informações: (14) 3223-5222 e 9715-2602.
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Set list
O repertório do projeto “Acústico MTV”, lançado em CD e DVD no final de 2004, beneficiou sucessos dos Engenheiros do Hawaii dos anos 80, a produção mais recente da banda (dos CDs “Surfando Karmas e DNA” e “Dançando no Campo Minado”) e alguns lados-B, resultando numa coletânea de três décadas de canções.
Humberto Gessinger garante que a banda vem tocando o set list do DVD praticamente completo, então o público pode esperar as releituras acústicas de “Até o Fim”, “Infinita Highway”, “Somos Quem Podemos Ser”, “Refrão de Bolero”, “O Papa É Pop”, “Dom Quixote”, “3x4”, “Terceira do Plural”, além de “Pose” e “Vida Real” e as mais novas, “Armas Químicas e Poemas” e “Outras Freqüências”.
Na seleção extra que a banda faz, entram com freqüência “Pra Ser Sincero”, “A Promessa” e “Eu Que Não Amo Você”. O público de hoje pode torcer ainda pela apresentação de alguma música nova, já que a banda entra em estúdio em breve para gravar seu novo CD.