Regional

Avícola de Itapuí é advertida pela Cetesb

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 3 min

Itapuí - A Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) de Bauru fez análises no sistema de tratamento de esgoto de três avícolas instaladas em Itapuí (44 quilômetros de Bauru) e encontrou irregularidades em uma delas.

A pedido de uma solicitação feita pela promotor Jorge João Marques de Oliveira, da Promotoria de Justiça do Meio Ambiente de Jaú, a Cetesb fez as análises no sistema de tratamento das três avícolas. Uma delas apresentou eficiência no tratamento do esgoto abaixo do limite tolerável, que é de 80%.

Outra avícola apresentou índice de 75% de eficiência, ficando próximo do limite aceitável. Apenas um atendeu à legislação, segundo a Cetesb.

“Como são avícolas grandes, então a Promotoria solicitou que a Cetesb fizesse uma vistoria completa nas três avícolas para verificar se elas estão tratando os efluentes líquidos, a água que eles utilizam no processo industrial, e se esse tratamento está sendo eficaz”, disse o promotor.

As três avícolas instaladas em Itapuí atualmente são: Itabom, Santa Cecília e Santa Fé. A Cetesb não divulgou o nome da avícola que teria apresentado índice de tratamento de esgoto abaixo do tolerável. Segundo Alcides Tadeu Braga, gerente da Cetesb, a avícola será autuada com uma advertência e terá um prazo para solucionar o problema.

Este prazo, de acordo com ele, é de 30 dias prorrogável para 60, dependendo do que deve ser feito no local para sanar o problema.

“As avícolas fazem parte do sistema de controle de poluição da Cetesb e são feitas vistorias contínuas no município (de Itapuí)”, explica Braga, lembrando que esta não é a primeira vez que uma avícola é autuada na cidade e que outras indústrias também são vistoriadas pelo órgão.

“As avícolas estão na rotina de atendimento (...) É uma fonte prioritária de atenção da Cetesb. Nós estamos constantemente no município não só vendo as avícolas como outras fontes de poluição, como as indústrias, por exemplo”, lembra Braga.

De acordo com ele, caso a avícola não tome as providências necessárias para se adequar às exigências da legislação, ela poderá ser multada. O valor da multa gira em torno de 300 Ufesp (Unidades Fiscais do Estado de São Paulo).

Ele explica que o valor exato da multa depende de fatores que levam em conta atenuantes, antecedentes ou agravantes contra a empresa. “Esta empresa já foi anteriormente autuada, não necessariamente no item efluente”, comenta o gerente.

No caso da avícola que apresentou índice em torno de 75% de eficiência no tratamento do esgoto, Braga explica que o problema está sendo estudado pelo órgão para ver o que ela poderá fazer para aumentar o índice de eficiência.

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Crime ambiental

O coordenador da Organização Não-Governamental (ONG) “Bica de Pedra”, de Itapuí, José Vitor Fíccio, já havia denunciado à reportagem do JC o problema.

Segundo ele, abatedouros de aves da cidade poderiam estar despejando sangue de animais no esgoto do município.

“O sangue sai da empresa, cai no esgoto da cidade e daí vai para o rio. A cidade não tem tratamento de esgoto, então ele é lançado puro no córrego, sem nenhum tipo de tratamento”, acredita.

O ambientalista explicou que tem monitorado as saídas de esgoto, inclusive documentando com fotos, para comprovar o que ele acredita ser um possível crime ambiental. “Queremos solucionar o problema sem criar mais problemas. As empresas têm a obrigação de tratar o esgoto”, comentou.

De acordo com Fíccio, um trator com tanque despeja o equivalente a 2 mil litros em cada viagem em que joga o efluente no Córrego Bica de Pedra, principal manancial de abastecimento do município. “No local onde é feito o lançamento de subproduto da avícola já é o encontro do córrego com o rio Tietê. E no lugar é feita pesca por pescadores profissionais que vendem os produtos ”, denuncia.

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