São Paulo - Folgas cassadas de quase 100 mil policiais militares e 30 mil policiais civis, helicóptero do Exército usado pela PM de prontidão para conter rebeliões em prisões, detentos com saída temporária monitorados e abordados, blitze nas ruas. É com esse cenário de guerra, preparado pelas forças de segurança, que o governo paulista pretende evitar que PCC orquestre ataques no Dia dos Pais.
A facção já promoveu três ondas de atentados - a primeira em maio, no Dia das Mães, a segunda, em julho, e a terceira, agora em agosto. Interceptações de escutas telefônicas feitas pelo serviço de inteligência da polícia haviam flagrado, há algumas semanas, lideranças da facção criminosa planejando ataques para o Dia dos Pais.
Apesar de todo esse reforço, o Comando da Polícia Militar do Estado demonstra preocupação. Tanto é que seu comandante, o coronel Elizeu Eclair Teixeira Borges, pediu à população para ter cuidado. “Creio que estamos com o controle quase total. Podemos ter problema? Podemos, mas a população tem que ter cuidado, avisar a polícia sobre qualquer suspeito”, disse Borges. E suspeitos não faltarão neste fim de semana, segundo o coronel, já que 13.085 presos do regime semi-aberto tiveram direito ao benefício da saída temporária.
Um termômetro da preocupação da PM é o fato de que 113 presos dentre todos aqueles que pleiteavam a “saidinha”, como dizem os sentenciados, foram identificados como membros do PCC. O número de presidiários ligados à facção criminosa que ganharam às ruas não foi divulgado.
A PM vem se preparando para a saída temporária há mais de um mês. A estratégia para coibir qualquer investida deles no crime inclui até mapas aéreos de onde moram familiares dos detentos. Nesses locais, policiais ficarão de prontidão. O serviço de inteligência também identificou os comparsas dos presos que estão soltos e em qual área atuavam antes de serem detidos. A ordem é abordar qualquer um que estiver em atitude suspeita.
Um esquema especial com as companhias de energia elétrica também foi montado. A preocupação é a ameaça de blecaute nos presídios, já que neste fim de semana os presos receberão visitas de seus familiares. A Polícia Civil e os bombeiros também estarão a postos.