Internacional

Na véspera de trégua, violência cresce

Por Michel Gawendo | Folha press
| Tempo de leitura: 4 min

Tel Aviv - Israel e o Hizbollah intensificaram ontem os ataques, um dia antes do início do cessar-fogo aprovado pelos dois lados e pela ONU. Ataques aéreos de Israel mataram 17 pessoas no Líbano, incluindo duas crianças, e a milícia xiita disparou mais de 250 foguetes e mísseis contra o país, matando um homem de 83 anos e ferindo outras três pessoas com gravidade. Israel afirmou ter derrubado, no ar, duas aeronaves não-tripuladas do Hizbollah carregadas com explosivos. O aumento dos ataques é comum nas últimas horas antes do cessar-fogo. Como também são comuns as violações e os enfrentamentos terrestres, que devem continuar. Israel afirma que vai agir se julgar que há perigo às suas tropas, ou de disparos contra o país.

O Hizbollah promete continuar atacando até que o último soldado israelense deixe o território libanês, mas o líder Hassan Nasrallah afirmou que vai suspender os disparos de mísseis se a Força Aérea de Israel deixar de bombardear o Líbano.

O cessar-fogo formal entra em vigor às 8h locais (2h de Brasília), com cerca de 30.000 soldados israelenses em uma faixa de até 20 km no sul do Líbano a partir da fronteira e com o Hizbollah ainda em condições de disparar contra Israel e com tropas bem treinadas e equipadas nas aldeias onde há presença israelense. “Israel vai sair junto com o envio do Exército libanês ao sul, ao lado da força internacional”, disse a chanceler Tzipi Livni. Até que isso aconteça, os israelenses afirmam que vão respeitar o cessar-fogo, mas responder a ataques e a ameaças, e também devem manter os ataques contra veículos suspeitos de transportarem armas e suprimentos para o Hizbollah.

O gabinete de Israel aprovou formalmente ontem, por 24 votos a 9, com uma abstenção, a proposta de cessar-fogo. Antes disso, na sexta-feira, o país triplicou o número de soldados no sul do Líbano. “Não teríamos tido sucesso na criação de um acordo favorável a Israel sem a operação lançada na sexta-feira”, disse o ministro da Defesa, Amir Peretz.

Mas a nova operação provocou mais críticas ao governo do premiê Ehud Olmert, que vem sendo atacado por causa da sensação de fracasso da ofensiva militar, devido à continuidade dos disparos de foguetes do Hizbollah e da falta de notícias sobre os soldados seqüestrados pelo grupo em 12 de julho. Se até a semana passada havia consenso político em torno da operação militar, agora a esquerda afirma que o envio de mais soldados os coloca em risco e amplia a guerra, e a direita afirma que isso deveria ter sido feito já na primeira semana de conflito.

Desde o início dos confrontos, há pouco mais de um mês, 784 pessoas morreram do lado libanês, e 148 do lado israelense. Entre os cinco militares israelenses mortos anteontem nos combates com o Hizbollah no sul do Líbano estava Uri Grossman, filho do escritor e ativista da paz David Grossman, que na quinta-feira fez um apelo público pelo fim da guerra.

Segundo a ONU, desde anteontem, cinco bombardeios israelenses atingiram áreas da Unifil (forças da ONU no Líbano). Os ataques não deixaram vítimas, apenas destruição.

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Fracassa reunião libanesa do desarmamento

Beirute - Fracassou ontem a primeira reunião do gabinete libanês para discutir a implementação do cessar-fogo entre Israel e o Hizbollah. Segundo fontes do governo, a reunião foi adiada indefinidamente devido a divergências sobre o desarmamento da milícia xiita libanesa. O gabinete libanês tem dois ministros do Hizbollah.

O adiamento pode comprometer o envio de 15 mil soldados do Exército para sul do país, como prevê a resolução aprovada pela ONU na última sexta-feira e aceita pelos governos de Líbano e Israel neste fim de semana. A resolução pede “o desarmamento de todos os grupos armados no Líbano para que (...) não haja armas ou autoridades no Líbano outras que do Estado libanês”.

O Hizbollah foi o único grupo libanês a manter suas armas após o fim de guerra civil, em 1990. Força de paz Ontem, o alto representante de política exterior da União Européia, Javier Solana, disse que o envio da força de paz internacional ao sul do Líbano, previsto na resolução da ONU, pode ocorrer em breve. “Já estamos preparados para estar ali muito rapidamente, e a ONU poderá enviar 4.000 efetivos em um prazo bastante curto de tempo”, disse Solana.

Ontem, o premiê italiano, Romano Prodi, disse que fará uma reunião de gabinete na próxima sexta-feira para discutir a participação da Itália na missão, que deverá contar com 15 mil homens. De acordo com o jornal israelense “Haaretz”, o premiê libanês, Fouad Siniora, disse que, além da Itália, estão interessados em participar da força Espanha, Turquia, Marrocos, Indonésia e Malásia.

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