Andar de moto com responsabilidade e segurança não é uma atribuição apenas de quem as pilota. Os passageiros, especialmente as crianças, também são fundamentais para garantir viagens tranqüilas e sem percalços desagradáveis durante o caminho.
“O garupa deve não apenas ver como a moto está sendo conduzida, mas participar ativamente dela”, enfatiza Marcel Sona Cardoso, instrutor de direção defensiva credenciado pela Hond. Para isso, ele destaca ser necessário realizar uma série de procedimentos imprescindíveis à sua segurança e a do condutor e ao bom desempenho do veículo.
“A exemplo do piloto, o passageiro precisa estar sempre alerta para antecipar-se em eventuais situações de emergência, como o surgimento repentino de um buraco na rua”, frisa Cardoso. Desta forma, desde a adoção de uma postura correta até a utilização de equipamentos e vestuário adequados devem fazer parte dos “mandamentos” não só do passageiro, mas também de quem está ao comando do guidão.
“O ideal é utilizar capacete com viseira, calça jeans e calçados fechados. Evite bermudas, tamancos, sandálias e chinelos, pois não dão firmeza e são ineficientes para proteger contra escoriações ou ferimentos oriundos de tombos”, ressalta o instrutor da Honda. Também é recomendável descartar o uso de calças lisas, como as de lycra, preferindo roupas resistentes e aderentes ao tecido do banco da moto.
“Já o capacete infantil, assim como dos adultos, tem de permanecer firme e imóvel na cabeça. Muitos têm o costume de usar capacetes de adultos em crianças, o que é totalmente errado. Isso porque ele não ficará fixo à cabeça, podendo girar e causar ferimentos na mandíbula ou outras partes do rosto, e em uma eventual queda não será eficiente e seguro para proteger contra impactos", acrescenta Cardoso.
Um dos principais cuidados que o passageiro deve tomar é com a posição de sua cabeça, que deve permanecer cerca de dez centímetros à esquerda em relação a do piloto. “Além de não prejudicar o equilíbrio e a visibilidade, contribui sensivelmente para não ser surpreendido por uma situação inesperada. Quanto menos o garupa de mover melhor, mais a cabeça é fundamental que ele a movimente para visualizar o trânsito e acompanhar os passos do piloto”, orienta Cardoso.
A postura também é imprescindível para o garupa, especialmente quando tratar-se de crianças. Segundo o piloto, para os menores a recomendação é segurar na linha de cintura do condutor ou nas alças das motos. “O apoio jamais deve ser feito nos braços, ombros ou pescoço. A posição correta deve ter ainda os pés apoiados nas pedaleiras e a coluna reta. O passageiro tem de ter consciência que deve atuar como se fosse a extensão do piloto”, compara.
Cardoso também chama a atenção para o fato de que uma conversa entre piloto e passageiro antes de iniciar o deslocamento ajuda a evitar surpresas no trajeto. “Quem for dirigir deve checar se o garupa possui noções mínimas de como andar em uma moto. E, tratando-se de crianças, não custa nada orientá-las sobre os procedimentos a serem tomados durante a viagem. Além de não atrasar ninguém, é um bate-papo indispensável à segurança”, conclui.
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Pais cuidadosos
Na hora de transportar as crianças nas motos, o cuidado com a segurança é a principal preocupação dos pais. Exemplo disso é o engenheiro bauruense Wilson Sebastião Franco, que costuma levar ou buscar o filho Isaac Pereira Franco, 8 anos, na escola e fazer trajetos curtos na cidade com o “pimpolho”. “Ele já está acostumado a rodar na moto, mas o conscientizamos permanentemente sobre a importância da segurança”, ressalta.
Franco destaca que ele e seu filho não saem sem os equipamentos de proteção, como capacete e calçados fechados, além de roupas com tecidos que ofereçam resistência ao material do banco da moto para não causar deslizamentos. “O piloto precisa ter consciência de quem está carregando”, enfatiza.
O engenheiro salienta que, além de observar se o filho está com os pés apoiados corretamente na pedaleira, faz com que ele segure em sua cintura com as mãos. “Evito que ele segure nas alças porque na cintura a gente consegue sentir se a criança está concentrada e atenta durante o percurso, além de percebermos suas reações. Acho isso importante porque, às vezes, as crianças se distraem e, em uma manobra emergencial, podem cair da moto”, afirma Franco.
Outro pai zeloso com o bem-estar do filho na hora de rodar de moto é o mecânico bauruense Rivaldo Henrique Quintiliano da Costa. Ele conta que o jovem Cauê Cardoso Costa, 12 anos, anda de motocicleta com ele há pelo menos quatro anos, período em que nunca descuidou da segurança. “Além de trafegar em velocidade normal nas vias, peço para ele utilizar sempre capacete e roupas adequadas e manter uma postura firme na moto”, destaca. E completa: “Também não descuido da manutenção da motocicleta para rodar tranqüilo e não provocar acidentes.”