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Metrô pára e prejudica 1,6 mi de usuários

Por Ricardo Gallo, Alencar Izidoro, Fernanda Bassette e Regiane Soares | Folhapre
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - Uma greve de 24 horas dos funcionários do Metrô causou o maior congestionamento no período da manhã em São Paulo desde novembro de 2004, quando uma enchente interditou o túnel do Anhangabaú, no centro. Ontem foram 188 quilômetros de lentidão por volta das 9h, contra 191 quilômetros de dois anos atrás.

A média do horário é de 70 quilômetros. Ao longo do dia, a paralisação afetou cerca de 1,6 milhão de pessoas que fazem 2,8 milhões de viagens por dia. Com as estações fechadas, os pontos de ônibus ficaram apinhados e os veículos, lotados. Muitos optaram por caminhar até o trabalho ou voltaram para casa.

À tarde, o trânsito atingiu 120 quilômetros às 19h - o normal são 106 quilômetros. Meia hora depois, o índice já estava melhor, abaixo da média (91 quilômetros contra 96 quilômetros). A explicação é que as pessoas foram mais cedo para casa. O rodízio foi suspenso por conta da greve e os principais corredores de tráfego ficaram sobrecarregados. De manhã, o pior era o sentido bairro-centro da Radial Leste.

No final do dia, era a marginal Tietê, sentido rodovia Ayrton Senna. Entre os passageiros, o tom mais comum era de críticas em relação à greve. “Protesto melhor seria liberar a catraca. Deixa o prejuízo para o governo, mas não mexe com a população”, afirmou a analista de sistemas Miriam Pereira, 46 anos. “São Paulo pára por causa do PCC, agora pára por causa do metrô.”

A paralisação foi a primeira em mais de três anos. A última foi em junho de 2003. A greve, que ocorre em ano eleitoral e não tem cunho salarial, foi organizada pelo sindicato dos metroviários, cuja direção é formada por militantes de PC do B, PT, PSOL, PSTU e PSB. A intenção do sindicato é protestar contra a concessão da linha 4 (Luz-Vila Sônia) - cujas obras devem terminar no final de 2008-, que será gerenciada pela iniciativa privada por 30 anos.

De acordo com o sindicato, a administração privada deve contratar menos funcionários do que a média atual por quilômetro e pagar salários menores. A concessão, para o sindicato, também abre precedente para a privatização de toda a rede, causando demissões.

A direção do Metrô admite que a tendência é contratar menos funcionários - ontem haveria mais do que o necessário, mas não, necessariamente, com salários menores. E nega a privatização da rede atual. Para o governo, a greve tem o objetivo de prejudicar as campanhas de Geraldo Alckmin (Presidência) e José Serra (governo paulista).

Multa

O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) fixou uma multa de R$ 100 mil (no dia anterior, ele havia informado ser R$ 200 mil) devido ao descumprimento da liminar que determinava 100% da frota nos picos e 80% no resto do dia. Ela só será cobrada depois do julgamento da paralisação no tribunal, que definirá, inclusive, os responsáveis por pagá-la.

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