Beirute - O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, entregou ontem, pessoalmente, nove toneladas de medicamentos ao govenro do Líbano para ajudar as vítimas da guerra. O chanceler brasileiro fez uma vista que classificou de “humanitária” e “política” às autoridades libanesas em Beirute.
Amorim foi recebido no aeroporto às 11h de ontem pelo ministro das Relações Exteriores libanês, Fawzi Salloukh. À tarde, ele se encontrou com o presidente Émile Lahoud, com o primeiro-ministro Fouad Siniora e com o presidente da Assembléia Nacional, Nabih Berri.
De acordo com a assessoria do ministro, ao final da visita Amorim declarou à imprensa que a solução para os conflitos daquela região “passa pela instituição de um Estado palestino viável”.
O ministro disse que o governo brasileiro não condena Israel, mas atitudes daquele país, como o bombardeio de áreas com população civil, e que os brasileiros também condenam o terrorismo.
Sobre a visita, Celso Amorim disse que ofereceu ajuda para intermediar o diálogo na região e que ouviu do presidente libanês que o Brasil é levado muito em conta, “principalmente por causa do grande número de brasileiros residentes na região”.
À BBC Brasil, o chanceler afirmou que “não está pensando” na possibilidade de enviar militares para atuar na força de paz da ONU que deverá ser empregada no Sul do Líbano. Amorim visitou de carro as aéreas bombardeadas por Israel em Beirute.
Segundo diplomatas, a população estava comemorando o fim dos bombardeios e havia faixas e cartazes com referências ao governo do Irã, ao grupo terrorista palestino Hamas e ao grupo xiita radical libanês Hizbollah.
Dos medicamentos entregues pelo ministro, 2,7 toneladas foram doadas pelo governo brasileiro e o restante foi encamihado através do governo pela comunidade libanesa que reside em São Paulo.
Resgate de brasileiros
O governo brasileiro pretende suspender a operação de retirada de brasileiros do Líbano ainda nesta semana. Até agora foram retiradas 2.950 pessoas das zonas de conflito.
A Força Aérea Brasileiro (FAB) trouxe 1.563 pessoas de volta para o Brasil do Líbano e as empresas aéreas Gol, TAM e BRA, 742 pessoas. Hoje, a Varig deve trazer mais 260 passageiros, e a FAB deve fazer um último vôo para buscar 150 brasileiros até o fina desta semana.