Beirute - No quarto dia de cessar-fogo entre o Exército israelense e o grupo terrorista libanês Hizbollah, metade da área ocupada pelas forças israelenses foi passada à Organização das Nações Unidas (ONU), cumprindo a resolução 1701, que estipulou a trégua ao conflito iniciado no dia 12 de julho. Ontem, o Exército do Líbano começou a chegar à região da fronteira com Israel.
O Exército israelense transferiu ontem metade das zonas que ocupava no sul do Líbano à Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil), informou um porta-voz militar. A Unifil deve passar em seguida o controle ao Exército libanês.
Questionado sobre o prosseguimento da retirada, o porta-voz disse que o processo se desenvolverá por etapas. A princípio, toda a operação deveria durar alguns dias, mas tudo dependerá da capacidade da Unifil e do Exército libanês de assumir o controle do conjunto do Sul do Líbano.
Os primeiros oficiais da Décima Brigada de Infantaria do Exército libanês, com 2.500 homens, chegaram ontem à cidade de Marjayun (sul) e se deslocarão nas próximas 24 horas ao longo da fronteira com Israel. “Devemos nos deslocar nas próximas 24 horas ao longo da Linha Azul, traçada pelas Nações Unidas entre Líbano e Israel’’, declarou o general Charles Chijani.
O quartel de Marjayun, a sete quilômetros da fronteira israelense, deve ser a sede da força internacional que será enviada pela ONU à região. “Esta é a primeira vez desde 1968 que o Exército libanês volta a Marjayun. Estamos muito felizes com esta operação, pois é nosso país’’, disse o general Chijani.
O Exército perdeu progressivamente o controle das regiões de fronteira com Israel a partir de 1968, primeiro em benefício dos combatentes palestinos até a invasão israelense de 1982 e, depois, das milícias xiitas que combatiam Israel.
Volta
Um denso fluxo de veículos, com milhares de pessoas deslocadas pela guerra, continuou ontem pelo quarto dia consecutivo a viagem de retorno ao sul do Líbano. Os automóveis e caminhões carregados de civis dividem as estradas com os comboios militares do Exército libanês.
No entanto, o tráfego parece menos denso que nos primeiros dias graças à reparação de várias pontes ou à instalação de passarelas metálicas, como em Qasmiyeh, sobre o rio Litani, perto do litoral do Mediterrâneo.
O trânsito permanece lento nos locais com estradas ou pontes avariadas. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) informou ontem que pelo menos meio milhão de libaneses deslocados pelo conflito entre Israel e o Hizbollah começaram a voltar ao Sul do país com o fim dos combates na segunda-feira.
O fluxo chegou a praticamente paralisar a rede de estradas do Líbano. O percurso entre Beirute e Tiro, de 83 quilômetros, feito normalmente em uma hora, durava mais de 12. Desde 12 de julho, quase 1 milhão de pessoas foram deslocadas pelo conflito.
Um vôo comercial da companhia Middle East Airlines chegou ontem ao aeroporto de Beirute, proveniente de Amã (Jordânia), interrompendo um bloqueio de 36 dias imposto por Israel. Foi o primeiro vôo a chegar ao aeroporto internacional Rafik Hariri desde o dia 13 de julho.
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Reforço
Beirute - O comandante da Força Interina da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Sul do Líbano (Unifil), Alan Pellegrini, anunciou ontem que “no início da próxima semana” chegarão ao Sul do país os primeiros efetivos de reforço do contingente internacional estabelecido pela resolução 1701 do Conselho de Segurança.
Pellegrini afirmou que “a nova Unifil será diferente da antiga, que já morreu, será mais forte, terá mais efetivos e novas regras”. O porta-voz não especificou o número de soldados a ser enviado na semana que vem.
A Unifil, que atualmente conta com cerca de 2.000 homens, deverá ser reforçada com mais 15 mil militares, no total. No quarto dia de cessar-fogo entre o Exército israelense e o grupo terrorista libanês Hizbollah, o Exército do Líbano começa a chegar à região da fronteira com Israel.