Rio Grande - Em evento oficial ontem em Rio Grande (RS), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vestiu uniforme para tirar foto com operários, assinou um contrato de investimento de R$ 223 milhões na região e, ao contrário do que normalmente faz, não discursou. A escalada para falar foi a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que ressaltou números favoráveis ao governo e anunciou projetos.
Na saída do evento, Lula disse que vai “recuperar” o Rio Grande do Sul e respondeu às críticas dos adversários pela sua ausência nos debates televisivos. Lula não participou do primeiro debate na TV Bandeirantes e disse que não irá a outros no primeiro turno.
O presidente pode discursar em eventos oficiais, mas isso facilitaria para a oposição tentar caracterizar como ato eleitoral. O governo tem procurado ser cuidadoso para não ser questionado por irregularidades na Justiça Eleitoral, que considera estar bastante severa. Por isso a fala de Dilma, e não de Lula. Lula e sua equipe estão priorizando o Rio Grande do Sul na campanha eleitoral.
O Estado é considerado estratégico nesta etapa da campanha pelo fato de o presidente não ter bom desempenho nas pesquisas.
Obra
No local onde será feito o investimento anunciado, um dique seco (espécie de oficina gigante para a construção e reparo de grandes plataformas), atualmente existe apenas um terreno. A obra deve ficar pronta apenas no final de 2007. Dilma, em seu discurso, elencou os mesmos argumentos que o presidente costuma destacar. “É um momento especial, porque é fruto de uma decisão política de 2002. Quando era candidato, o presidente prometeu transformar a indústria de petróleo e gás em mais do que apenas extração. Ao invés de comprar navios prontos, optamos por demandar isso da economia nacional. Estamos aqui para comemorar isso.’’
Além de assinar o contrato para a construção do dique seco, o presidente vistoriou as obras de construção da P-53 e anunciou, por meio de Dilma, programas na região, como a prioridade da duplicação da rodovia Pelotas-Rio Grande.
A construção de plataformas como a P-53 no País é um cumprimento de promessa de campanha de Lula em 2002, quando o então candidato se envolveu em polêmicas porque defendia que esses equipamentos não fossem feitos no exterior. Antes de vistoriar a construção, que ontem se resumia a duas estruturas metálicas da altura de um prédio de três andares, Lula passou cerca de 15 minutos falando com operários que se alinharam para vê-lo. Debate Criticado pelos outros candidatos pela opção de não ir a debates no primeiro turno, Lula disse ter o “direito” de decidir. “Depois de participar de debate em quatro eleições, cheguei à conclusão de que tenho o direito de decidir se vou ou não.”
Ontem, Lula foi atacado na propaganda no rádio por Geraldo Alckmin (PSDB), que reclamou da ausência do petista no debate da TV Bandeirantes. “Lula não foi para fugir de responder por que ele abandonou o Brasil na questão da segurança pública”, disse Alckmin. “Vou ao debate quando a gente achar que interessa ir a um debate. Não posso ir a um debate quando os outros acham que eu devo ir. Ninguém pode se queixar que eu não participo de debate. Participo como ninguém”, disse Lula.