O pequeno número de casas e habitantes é uma das principais marcas de Rio Verde. E essa situação dificilmente irá mudar, mesmo com a inauguração do aeroporto nas proximidades do local. Pelo menos, esta é a intenção da Prefeitura de Bauru.
“Qualquer expansão para fora dos limites do patrimônio precisa antes ser profundamente estudada”, explica a secretária municipal de Agricultura, Maria Eugênia Gracia, que participou da elaboração do Plano Diretor Municipal para a área rural do município.
Segundo ela, apenas loteamentos rurais de no mínimo um hectare (10 mil metros quadrados) poderão ser feitos na região. Já ocupações de caráter urbano (glebas menores que um hectare) só serão permitidas dentro dos limites dos 136.429,854 metros quadrados que formam o patrimônio.
“Mesmo que se autorizasse alguma expansão, seria preciso pensar numa forma para que essa ocupação não ocorresse de maneira desordenada, a ponto de prejudicar a qualidade de vida e a produção agrícola daquela área”, enfatiza Gracia.
De acordo com a secretária, as barreiras para o crescimento do bairro foram sugeridas pelos próprios moradores do local, durante as discussões de elaboração do Plano Diretor. “Eles temiam que a chegada do aeroporto pudesse gerar um adensamento populacional na região, que traria junto uma série de problemas comuns na área urbana”, explica Gracia.
Segundo Gracia, o patrimônio de Rio Verde não pode ser considerado área urbana, ainda que os lotes ali existentes tenham essa natureza. “Falta ao lugar uma rede básica de infra-estrutura e serviços públicos que permitiriam a aplicação dessa definição”, explica.
Atualmente o bairro não possui escolas, postos de saúde ou repartições públicas de qualquer natureza. Há um único telefone disponível à população e nenhuma rua é asfaltada. Apesar de todas as casas contarem com eletricidade, Rio Verde não dispõe desistema de água e esgoto.
O saneamento básico, por sinal, é a principal limitação à expansão demográfica do bairro. “É preciso que se faça uma análise para saber se a região dispõe de água suficiente para atender novos moradores ”, explica Gracia. Hoje em dia, as residências do bairro são abastecidas por poços e têm esgoto despejado em “fossas negras”.
“Seria necessário a construção de terminais para tratamento desses dejetos, de modo a evitar que os mananciais daquela área sofressem contaminação”, ressalta Gracia. Ela lembra que o setor onde está localizado Rio Verde é considerado área de proteção ambiental pela prefeitura e conta com nascentes de diversos rios e córregos de Bauru e região.
Com tantas limitações, muitos podem imaginar que a região ao redor do aeroporto permanecerá inalterada. Mas, segundo Gracia, o Plano Diretor irá reservar de duas faixas de 300 metros de largura ao longo do trecho asfaltado de seis quilômetros, que liga a entrada do aeroporto à rodovia Bauru-Iacanga (SP 321), onde poderão ser instaladas indústrias.
Gracia acredita que empregados dessas empresas possam querer residir em Rio Verde, para ficarem mais próximos ao local de trabalho. “Por isso a questão foi discutida com antecedência pelo Plano Diretor, para evitar que o processo acontecesse de forma desorganizada”, diz.
Gracia duvida que o aeroporto possa criar empregos diretos para pessoas do bairro, por se tratar de um trabalho altamente especializado. A opinião é compartilhada por Edson Freitas Fogo, de 32 anos, que vive há dois anos no bairro e está sem serviço atualmente. “Não fui aceito nem nas obras da estrada, que dirá para o resto”, diz.