Bairros

Aeroporto pode criar perigo invisível

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

A instalação do novo aeroporto pode trazer impactos que a população do patrimônio de Rio Verde sequer pode imaginar. A ameaça é invisível, mas poderá ser sentida nos pulmões dos habitantes do local, caso providências não sejam tomadas.

Dados do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) apontam que os aeroportos espalhados pelo planeta são responsáveis, atualmente, pela emissão de 3% dos gases responsáveis pelo aquecimento global.

A entidade, que é ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), estima que em 2050 esse índice chegue a 8%. “Essa projeção leva em conta a construção de novos aeroportos, bem como o aumento do tráfego de aeronaves”, explica Oswaldo Massambani, diretor da Agência USP de Inovações, órgão ligado à Universidade de São Paulo (USP).

De acordo com ele, a emissão dos gases em aeroportos é fruto tanto da atividade do veículos aéreos, nas atividades de aterrissagem e decolagem, quanto dos serviços de suporte ao vôo, resfriamento de turbinas, etc.

O tráfego de automóveis na região de aeródromos é um dos grandes vilões da questão. “As ruas próximas a esses locais concentram um tráfego de veículos muito grande, em decorrência da intensa movimentação dos passageiros”, diz Massambani.

Segundo ele, toda poluição emitida nos aeroportos acaba ficando concentrada nas regiões vizinhas. “A área que costuma ser atingida por esses gases costuma ter um raio de 20 quilômetros, dependendo das condições climáticas existentes no local”, afirma.

Rio Verde, que está localizado a apenas 6 quilômetros do novo aeroporto, seria fatalmente afetado pela poluição. Massambani defende que sejam feitas adaptações, de maneira a evitar que a emissão de gases nocivos continue ocorrendo de forma intensa nos locais.

“No caso das aeronaves, o importante seria que fossem incorporadas tecnologias que as tornassem as menos poluentes. Já no que se refere aos aeroportos o ideal é que eles fossem projetados (ou adaptados) de um modo a evitar grandes concentrações de automóveis em suas proximidades”, conclui.

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Carona

Nenhum problema é maior em Rio Verde do que a distância. Tudo é longe, sobretudo Bauru. São13 quilômetros em estrada de terra, fora outros 11 asfaltados, que tornam pouco atrativo o caminho que leva à Cidade Sem Limites.

Wilmar Berton, o Gaúcho, é um dos poucos cidadãos de Rio Verde que vai todos os dias à cidade, para trabalhar como vendedor numa loja de produtos agropecuários. Na falta de meios de transporte disponíveis no bairro (que não possui linha de ônibus regular), os vizinhos já sabem que devem recorrer a ele para conseguir carona.

“É importante ajudar o pessoal, pois o bairro é distante e não tem muitas opções de transporte”, diz. Ele, que atualmente vai a Bauru num automóvel Gol, já chegou a carregar oito pessoas num Voyage que possuía.

Gaúcho, que tem 60 anos e nasceu em Ijuí, Rio Grande do Sul, tem dúvidas quanto às mudanças positivas que o asfaltamento dos seis quilômetros de estrada vicinal que dão acesso ao aeroporto possam trazer a Rio Verde.

“Se ele facilitar a vida dos moradores, tudo bem. O problema é se com ele vierem problemas comuns na cidade grande, como poluição, barulho de violência”, avalia.

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