Um aparelho que vai custar, em média, R$ 100,00, será a porta de entrada do telespectador brasileiro ao universo da TV digital. Com a escolha definitiva do padrão japonês para o novo sistema no País, a previsão é de que a tecnologia esteja brevemente à disposição da população. E enquanto não há aparelhos de TV com condições de receber a imagem digital, o equipamento conversor, que poderá ser comprado em lojas de eletroeletrônicos, será a opção.
O decreto que regulamentou a escolha do ISDB como padrão da TV digital para o Brasil foi assinado no último dia 29 de junho pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A expectativa é que as transmissões das emissoras nacionais comecem a ser feitas no sistema digital ainda este ano. Mas na prática o que isso significa? Que mudanças trará para aqueles que utilizam a TV para se divertir ou se informar?
A primeira coisa a ser feita para quem quiser receber imagem digital na televisão de casa será mesmo a compra de um conversor, conhecido pelo nome “set top box”. O preço desse conversor ainda não está definido, mas deve custar, em média, R$ 100,00. A função do aparelho será captar a imagem digital transmitida pelas emissoras de TV e transportá-la para as televisões analógicas, que estão presente em todos os lares brasileiros. Ainda não existe no Brasil um aparelho de TV em condições de receber imagem digital.
O governo estuda a possibilidade de conceder isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para baratear o custo do aparelho, que deverá ser parecido com um conversor de TV a cabo. Quem não quiser comprar o conversor continuará assistindo a seu programa preferido sem nenhum problema. O conversor será necessário para aqueles que desejarem assistir a seus programas com imagem digital. Ou seja, com uma qualidade muito superior à analógica.
No entanto, dentro de dez anos, pelos cálculos do governo, os conversores devem chegar a um valor tão acessível que todas as residências terão pelo menos um. Mesmo porque, vencido esse prazo de dez anos, as emissoras não transmitirão mais imagem em sinal analógico.
O conversor será uma espécie de “quebra-galho” até que todos os brasileiros tenham condições de comprar uma TV com tecnologia para receber sinal digital. E isso, com certeza, levará muito mais tempo. Como essas TVs ainda não começaram a ser produzidas, não há como estimar seu valor de mercado. Os primeiros produtos deverão chegar às lojas em 2008. As regras são as mesmas para quem tem TV por assinatura.
Além de uma melhor qualidade de imagem e som, o sistema digital proporcionará outros benefícios como uma maior interatividade e diversidade na programação. Por exemplo, durante um jogo de futebol será possível acessar a ficha de cada jogador e a tabela do campeonato.
O padrão japonês, como o ISDB é conhecido, era o preferido das emissoras nacionais de televisão. Atualmente, apenas o Japão utiliza esse sistema. Embora seja pioneiro no desenvolvimento da tecnologia que será usada no Brasil, o Japão ainda não deslanchou na questão da TV digital.
A transmissão via satélite começou em dezembro de 2000, mas até o último mês de maio, apenas 13 milhões de domicílios recebiam sinal digital, o que representa pouco mais de 22 %. Lá, a inovação ainda é considerada cara para a maioria da população. Como os preços têm caído constantemente, estima-se que até o fim do ano todo o País tenha acesso ao sinal digital.