Beirute - Numa ação que o governo em Beirute considerou a primeira violação em larga escala do cessar-fogo costurado pela ONU na última semana, Israel lançou um ataque contra o Líbano na manhã de ontem, pondo em risco a frágil trégua na região. Um militar israelense morreu e o Hizbollah sofreu três baixas, disseram autoridades libanesas, embora o grupo negue.
O premiê libanês, Fouad Siniora, classificou o ataque como uma “violação flagrante” do cessar-fogo e afirmou que levaria o caso à ONU. O ministro da Defesa, Elias Murr, ameaçou suspender o envio de soldados libaneses ao sul do país - como fora acordado com a ONU e com Israel nas negociações para interromper um mês de guerra entre o Estado judeu e o grupo terrorista xiita.
“Se não houver uma resposta clara sobre essa questão, posso ser forçado a recomendar ao gabinete, na próxima semana, que suspenda o envio do Exército ao sul”, disse Murr a jornalistas. Israel afirmou que o objetivo da operação, perto da cidade de Baalbek, no vale do Bekaa (nordeste do Líbano), foi interromper o fornecimento de armas ao grupo terrorista a partir do Irã e da Síria.
Segundo os termos do cessar-fogo, Israel realizaria operações de defesa apenas se suas tropas fossem ameaçadas.
O ataque de ontem ocorreu longe das posições das tropas israelenses no sul do Líbano. Militares israelenses afirmaram que operações desse gênero irão continuar até que “uma unidade efetiva de monitoração” entre em operação e impeça que o Hizbollah reaparelhe seu arsenal.
“Se a Síria e o Irã continuarem a fornecer armas ao Hizbollah, violando a resolução da ONU, Israel agirá para defender o princípio do embargo de armas”, disse o porta-voz da Chancelaria, Mark Regev. Apesar do ataque, não houve escalada imediata da violência.
A ONU tem enfrentado dificuldades para formar uma força de paz internacional para patrulhar o sul do Líbano, depois de 34 dias de conflito entre Israel e o Hizbollah detonados pelo seqüestro de dois soldados israelenses pelo grupo libanês.
O primeiro contingente - 49 soldados franceses - desembarcou ontem em Naqoura. Outros 200 soldados soldados são aguardados nesta semana.
O ataque sugere que Israel estava atrás de um objetivo maior: resgatar os soldados ou capturar um alto membro do grupo para usá-lo em troca. A ação aparentemente visou um alvo do Hizbollah em uma escola, segundo forças libanesas.
Manobras do Irã
Dezenas de milhares de soldados iranianos iniciaram exercícios em todo o país ontem em preparação para um eventual ataque israelense. “Tendo em conta o passado de nosso inimigo louco, devemos estar preparados a todo momento”, disse o chefe do Exército, general Attaolá Salehi. O Irã parabenizara o Hizbollah por “vencer” Israel.