Tribuna do Leitor

Alfabeto sem amarras


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O Jornal da Cidade do dia 31 de julho último publicou reportagem intitulada - "ONG 'Alfabeto Sem Amarras' quer mudar a língua portuguesa". O assunto não se trata de tese pacífica, mas é oportuno e importante sua discussão. A ONG "Alfabeto Sem Amarras”, de Bauru, foi fundada em fevereiro deste ano e é presidida pelo dr. José Perea Martins, com o objetivo de democratizar a educação e a cultura do Brasil, através de um idioma simplificado.

Segundo a reportagem, o novo alfabeto prevê mudanças nas formas como se lê as letras e a extinção de algumas outras. A fala sempre antecedeu a representação escrita e representa o sistema simbólico do pensamento humano na sua comunicação. Falar e escrever é complicado. Aprendemos falar antes de freqüentarmos a escola. Mas cabe a escola como instituição de educação e ensino a missão de ensinar a escrever em aprendizagem sistematizada. O ilustre presidente da ONG “Alfabeto Sem Amarras”, José Perea Martins, além de homem culto, competente é um idealista nesta nobre luta objetivando simplificar o alfabeto. Afirma Perea Martins: “Quem souber direito o alfabeto já sabe 90% da língua.”

Após a fase da alfabetização, saber com quantas e quais letras se escreve uma palavra, está a dificuldade da grafia das palavras. É o aprendizado transformando a palavra oral na palavra escrita no caderno, aprendendo as normas da língua escrita. Nem sempre a escrita da palavra foi como é escrita hoje. Meu nome por exemplo: Rodolpho, grafado com “ph” no lugar do “f”, como se escreve hoje. Quando nasci em 1931, não se escrevia assim. Outros exemplos: escriptório = escritório; telephone = telefone. Na ortografia, existem as diferenças e semelhanças entre a língua falada e a escrita. Exemplo: falamos kaza e escrevemos casa.

Quando ingressei no magistério público primário do Estado, em escola isolada rural, no início da década de 1950, vivi a realidade da fonética, no meio rural e no urbano. A fala do “caipira”. Naquela época as dificuldades na zona rural eram muitas, não havia luz elétrica, telefone, rádio, inclusive o meio de transporte. Vivia-se num completo isolamento. Hoje na zona rural já se desfruta de luz elétrica, televisão, rádio, computador e veículos de transporte facilitado. Como justifica o sr. José Perea Martins, o emaranhado de regras eruditas, as instituições de tópicos eminentemente elitistas, os preciosismos, as incongruências, tudo isso, sempre serviu para dificultar o aprendizado do idioma português, em nosso país. Imaginem na zona rural nos anos de 1950, lecionar, alfabetizar crianças. As escolas rurais na época, compunham-se de apenas três séries: 1ª, 2ª, 3ª funcionando numa mesma sala.

Parabenizo o ilustre e prezadíssimo sr. José Perea Martins, no seu idealismo, dedicação e esforço nessa sua nobre luta em procurar facilitar a escrita das palavras. Parabéns, sucesso.

Rodolpho Pereira Lima - professor aposentado do magistério do Estado

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