Uma decisão simples e barata, amplamente disseminada nos últimos meses, pode evitar que motociclistas sejam vítimas de acidentes com linhas de pipa embebidas na mistura de pó de vidro e cola de madeira, o cerol. Com baixo custo em relação ao benefício que proporciona, as vendas de antenas protetoras para motos disparam em julho e agosto, depois de vários acidentes, inclusive com mortes. O estoque está esgotado na maioria das lojas de acessórios de Bauru. No entanto, mesmo sabendo dos perigos, ainda existem aqueles que preferem se arriscar. O motivo: vaidade.
Por experiência própria, o proprietário de loja de acessórios para motos, Idenor Moreira de Souza, resolveu aumentar o estoque das antenas metálicas para os meses de julho e agosto. “Todos os anos percebemos que há um aumento na procura desse item durante o período de férias. Este ano, a venda superou as expectativas” revela o comerciante, que é um dos poucos da cidade que ainda possui o produto a pronta entrega.
Idenor afirma que as vendas aumentaram, em média, 20% em relação ao mesmo período do ano passado. “Durante os 22 dias de agosto, vendi mais do que em julho, que é o mês com maior incidência de acidentes. Acho que isso aconteceu devido aos últimos acidentes que aconteceram aqui, em Lins e Marília”, opina o dono de loja, que vende e instala, em apenas quatro minutos, antenas fixas a R$ 5,00, e móveis, a R$ 15,00.
O comerciante não se preocupa com a redução de lucros e acredita que o item deveria ser obrigatório. “Isso é tão simples e barato, mas vale uma vida. Não sei como não enxergaram ainda que a moto tem que sair da fábrica com as antenas”, critica.
Mais dois proprietários de lojas de acessórios para motocicletas foram consultados pelo JC e resposta de ambos foi a mesma: nossos estoques estão esgotados. José do Nascimento de Almeida afirma que vende o produto há seis anos, mas que a procura vem aumentando nos últimos meses. “Esse mês eu vendi muito mesmo. Todas as antenas acabaram. Eu sempre me preparo para os meses de férias, mas em agosto não deu”, revela.
Vanderley Yoshiro Isozaki, que também é dono de uma loja de acessórios para motos, não encontra o produto nem nos distribuidores. “Meu estoque acabou há uns 15 dias. Eu sei que vários colegas estão sem porque está difícil de achar no o produto no mercado”, afirma o comerciante, que vendeu 100 antenas em 30 dias e disse atender, diariamente, seis pessoas à procura do produto.