A moçada termina o curso técnico, o colégio ou a faculdade e não encontra emprego. Quando alguma empresa anuncia uma vaga, mesmo que seja por um ou dois salários mínimos, aparecem centenas ou milhares de candidatos. Gente com nível superior se candidata até para cargo de gari. E não é de hoje que essa situação vem se arrastando. O sucesso anunciado pelo governo Lula, na verdade registra um crescimento do emprego bastante inferior ao número de jovens que a cada ano ficam aptos para o mercado de trabalho. Como agravante, grandes empresas vem fazendo demissões em massa, como nos casos da Varig e da Volkswagen, para citar casos mais recentes. Está aí, portanto, o seríssimo problema do desemprego, que coloca na penúria milhões de brasileiros. Crianças de quatro anos de idade quebram pedra para fazer brita ou quebram castanhas de babaçu no corte do machado, o dia todo. Outros trabalham em carvoaria ou mergulhando na lagoa de Maceió, para pescar sururu. Todos passando fome junto com os irmãos mais velhos e que não podem ir à escola. Nas cidades, vivem nas ruas pedindo dinheiro nos semáforos, fazendo pequenos furtos e se drogando. Está aí o também seríssimo problema do trabalho infantil e da exploração de menores, ceifando o futuro de milhões de brasileiros.
Há poucos anos atrás Bauru tinha apenas uma cadeia e o IPA. Avaré e Pirajui tinham, cada uma, uma penitenciária, com lotação dentro dos limites. Hoje Bauru tem mais duas penitenciárias e o Centro de Detenção Provisória. Pirajui passou a ter duas penitenciárias. Avaré, além de ganhar mais uma, passou a ter mais duas nas proximidades, Itai e Iaras, todas lotadas. Só nesta nossa região a população carcerária deve ser de uns seis mil presidiários ou mais. Além dos numerosos presídios, o Estado está planejando vários outros para atender o crescimento geométrico do número de bandidos. A reprodução de criminosos é tão grande que compete com a de criação de coelhos. As pessoas são assaltadas nas ruas e em casa, independente do lugar e da hora e levam tiros ou facadas mesmo que não reajam. Eis aí outro seríssimo problema que aflige o brasileiro, o da segurança,.
Os pequenos produtores, vítimas da intempérie ou das crises do mercado, endividados, deixam de produzir e arrendam suas terras para plantação de cana, de laranja ou de soja, e vão para as cidades em busca de emprego urbano, que não encontram. Enquanto isso, os grandes produtores e a agroindústria mecanizam o trabalho e terceirizam a mão-de-obra para empreiteiros, que com freqüência escravizam trabalhadores procedentes das regiões mais pobres. Insuficiência de armazenagem, estradas em péssimas condições e congestionamento dos portos, por sua vez, infernizam a vida dos produtores e dos caminhoneiros. Este é outro seríssimo problema, que desafia os governos e dificulta o desenvolvimento do país.
Somem-se a esses os problemas da saúde pública, da educação, das favelas sem água e esgoto, da poluição ambiental, do desmatamento, do transporte urbano e busquem-se nos arquivos da imprensa as lamúrias dos recém-eleitos, queixando-se das dívidas herdadas e da impossibilidade de resolver os problemas. Mas agora, na campanha eleitoral, as coisas mudaram. Todos os candidatos sabem como resolver esses problemas e aguardam apenas a oportunidade de serem eleitos. Maravilha, vamos votar em todos eles e resolver todos os problemas do Brasil. Como terão quantidades de votos diferentes, o mais votado será o líder e os outros serão os ministros, formando uma equipe superdotada. No Estado também o que tiver mais votos será o líder e os outros serão os secretários. Não é uma idéia genial? Por que desperdiçar tantos talentos?
O autor, Pedro Grava Zanotelli, é consultor e ex-presidente da Ordem dos Velhos Jornalistas de Bauru